Crise no clã Bolsonaro: Michelle se afasta de Flávio e racha expõe fragilidade da direita para 2026

O distanciamento entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atingiu um novo patamar e já é tratado como irreversível por aliados próximos. A ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher na terça-feira (30) e comunicou ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que avalia não disputar uma vaga ao Senado em 2026. Nos bastidores, correligionários admitem que Michelle deve mesmo ficar distante da pré-campanha do enteado mais velho à Presidência da República, aprofundando o racha no clã Bolsonaro.

A decisão de Michelle foi interpretada como um recado direto a Flávio, com quem ela mantém uma relação fria desde as eleições de 2022. A ex-primeira-dama tem se queixado de ataques a aliados e da falta de apoio dentro do próprio partido. Segundo fontes do PL, ela indicou a Valdemar Costa Neto que não pretende se envolver ativamente na campanha presidencial, o que representa um revés significativo para a estratégia eleitoral da legenda.

Panorama político e impacto na direita

O racha expõe as fragilidades da direita brasileira a menos de dois anos das eleições gerais. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, a ausência de Michelle — figura de grande apelo entre o eleitorado evangélico e feminino — pode enfraquecer a base de apoio do senador. A crise também ocorre em meio a outros movimentos no tabuleiro político, como a liberação de pesquisas eleitorais em Alagoas e a admissão de erros por parte de Valdemar Costa Neto em relação a encontros de Flávio com empresários investigados.

Aliados de Michelle afirmam que ela não dará sinais de trégua tão cedo. A ex-primeira-dama tem priorizado projetos pessoais e evitado eventos partidários. Para analistas, o distanciamento pode beneficiar outros pré-candidatos da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já sinalizou interesse em construir uma candidatura própria.

Enquanto isso, o PL tenta conter os danos. Valdemar Costa Neto, que já admitiu publicamente erros de Flávio em reuniões com empresários investigados, agora busca um acordo para evitar que a crise se agrave. No entanto, a falta de diálogo entre Michelle e Flávio torna qualquer reconciliação improvável no curto prazo.

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