O Governo de Pernambuco anunciou, nesta segunda-feira (26), a criação de uma fila de espera para a distribuição de bengalas e a ampliação do atendimento odontológico no estado, como parte do programa PE Acessível. As medidas, que incluem também a capacitação de profissionais, visam atender pessoas com deficiência e idosos, com impacto direto na mobilidade e na saúde bucal da população. A iniciativa foi divulgada por meio de nota oficial, sem a participação de um único personagem político, e reflete um esforço coletivo de diversas secretarias estaduais.
A fila de espera para bengalas será gerida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, em parceria com a Secretaria de Saúde. O objetivo é garantir a distribuição equitativa dos equipamentos, que serão fornecidos gratuitamente a pessoas com deficiência física, mobilidade reduzida ou idosos em situação de vulnerabilidade. A medida busca atender uma demanda reprimida, já que, segundo dados da Secretaria de Planejamento, cerca de 12 mil pessoas aguardam por esse tipo de auxílio no estado.
Já a ampliação do atendimento odontológico será realizada por meio de unidades móveis e da rede de Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), com foco em pessoas com deficiência e idosos. A Secretaria de Saúde informou que serão investidos R$ 4,5 milhões na aquisição de novos equipamentos e na contratação de profissionais especializados. A meta é atender 20 mil pacientes por mês, um aumento de 30% em relação à capacidade atual. A medida também inclui a capacitação de dentistas e auxiliares em técnicas de atendimento inclusivo, como o uso de sedação consciente e comunicação alternativa.
Capacitação de profissionais e impacto social
O programa PE Acessível prevê ainda a capacitação de 500 profissionais de saúde e assistência social, com cursos sobre acessibilidade, direitos das pessoas com deficiência e manejo de equipamentos de auxílio. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Social e conta com a parceria de universidades estaduais, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade de Pernambuco (UPE). A capacitação será realizada de forma presencial e online, com duração de 40 horas, e visa melhorar o atendimento nos serviços públicos.
O anúncio ocorre em um contexto de pressão por políticas de inclusão no estado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 6,7% da população pernambucana, cerca de 600 mil pessoas, possui algum tipo de deficiência. A falta de acesso a equipamentos como bengalas e a serviços odontológicos adequados é uma das principais queixas de organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Especialistas em políticas públicas destacam que a criação de filas de espera, embora possa gerar críticas, é uma forma de organizar a demanda e garantir transparência. “A fila é um mecanismo de gestão que evita privilégios e assegura que os recursos cheguem a quem mais precisa”, afirmou Maria da Silva, pesquisadora em saúde pública da Universidade Federal de Pernambuco. Já a ampliação do atendimento odontológico é vista como um avanço, já que a saúde bucal é frequentemente negligenciada em políticas de inclusão.
O governo estadual também anunciou que as medidas fazem parte de um plano mais amplo de acessibilidade, que inclui a adaptação de prédios públicos e a criação de um aplicativo para solicitação de equipamentos. A previsão é que a fila de espera para bengalas comece a operar em 30 dias, enquanto a ampliação do atendimento odontológico terá início em setembro. A iniciativa foi elogiada por entidades como a Federação das Associações de Pessoas com Deficiência de Pernambuco, que destacou a importância de ações integradas.
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