Data centers lideram R$ 2 trilhões em investimentos digitais no Brasil até 2029, aponta mercado imobiliário

O Brasil deve receber R$ 2 trilhões em investimentos em tecnologias digitais até 2029, com os data centers assumindo o protagonismo nos aportes — tendência que já chama a atenção do mercado imobiliário nacional, que se prepara para uma nova fronteira de negócios e desenvolvimento regional.

De acordo com levantamento setorial divulgado nesta semana, a previsão de R$ 2 trilhões em aplicações abrange desde infraestrutura de conectividade até soluções de inteligência artificial e armazenamento em nuvem. No entanto, são os data centers — grandes galpões climatizados que abrigam servidores e processam dados — que devem concentrar a maior fatia dos recursos, impulsionados pela crescente demanda por processamento remoto e pela expansão de empresas de tecnologia no país.

Mercado imobiliário se reposiciona

O setor imobiliário brasileiro, historicamente focado em residências e escritórios comerciais, começa a direcionar seus projetos para atender às necessidades específicas dos data centers: terrenos extensos, acesso a energia elétrica de alta capacidade, segurança física e conectividade de fibra óptica. Incorporadoras e fundos de investimento já estudam a aquisição de áreas em regiões como Grande São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Fortaleza, onde há infraestrutura energética e logística favorável.

Especialistas apontam que a construção de um único data center de grande porte pode gerar até 5 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de obras, além de receitas tributárias significativas para os municípios. A longo prazo, a operação desses centros demanda mão de obra qualificada em áreas como engenharia elétrica, refrigeração e segurança cibernética, o que pode fomentar a criação de polos tecnológicos regionais.

Panorama político e econômico

O movimento ocorre em um contexto de acirramento da competição global por investimentos em infraestrutura digital. Países como Estados Unidos, Alemanha e Singapura já atraem bilhões de dólares para data centers, mas o Brasil desponta como destino emergente devido ao custo relativamente baixo de energia, à localização estratégica para atender a América Latina e ao avanço de marcos regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

No entanto, desafios persistem. A burocracia para licenciamento ambiental, a necessidade de investimentos em redes de transmissão elétrica e a instabilidade cambial são apontados por analistas como entraves que podem reduzir o ritmo dos aportes. O governo federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sinalizou a criação de um programa de incentivos fiscais para data centers, mas a medida ainda tramita no Congresso Nacional.

Para o mercado imobiliário, a aposta em data centers representa uma diversificação de portfólio em um momento de vacância elevada em escritórios tradicionais e de juros altos que comprimem a demanda por imóveis residenciais. A expectativa é que, até 2029, pelo menos 30% dos novos projetos imobiliários corporativos estejam voltados para infraestrutura digital, segundo projeções de consultorias especializadas.

Com a digitalização acelerada da economia — impulsionada por setores como agronegócio, fintechs e varejo online —, a demanda por processamento de dados deve crescer a taxas anuais de dois dígitos. Nesse cenário, os R$ 2 trilhões em investimentos previstos até 2029 não apenas transformarão o mercado imobiliário, mas também redefinirão a geografia econômica do país, criando novas centralidades tecnológicas e oportunidades de emprego em regiões antes periféricas.

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