A deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB) acusou o líder do governo Tarcísio de Freitas na Assembleia Legislativa, Gilmaci Santos (Republicanos), de violência política de gênero, após ele retirar o presidente da Sabesp, Carlos Augusto Piani, de uma comissão na Assembleia Legislativa de São Paulo. O episódio ocorreu durante uma audiência pública sobre a empresa, em meio a um bate-boca que expôs as divergências entre a oposição e a base governista em torno do processo de privatização da companhia de saneamento.
A acusação foi feita por Ana Carolina Serra logo após o incidente, que aconteceu na última quinta-feira (5). Segundo a deputada, a ação de Gilmaci Santos configurou violência política de gênero, uma vez que ela estava exercendo seu mandato e foi interrompida de forma abrupta e desrespeitosa. O líder do governo, por sua vez, negou a acusação e afirmou que apenas seguiu o regimento interno da Casa, que permite ao líder retirar convidados de comissões quando julgar necessário.
Contexto da audiência e o bate-boca
A audiência pública tinha como objetivo discutir o futuro da Sabesp, que está no centro de um debate acirrado no estado de São Paulo. O governo Tarcísio de Freitas defende a privatização da empresa, enquanto a oposição, incluindo o PSDB de Ana Carolina Serra, se opõe ao modelo proposto, argumentando que pode prejudicar o acesso da população a serviços de saneamento básico. Durante a sessão, a deputada questionou o presidente da Sabesp sobre os impactos da privatização, o que gerou reação de Gilmaci Santos, que interveio para encerrar a participação de Piani na comissão.
O episódio ocorre em um momento de forte polarização política no estado, com a base governista tentando acelerar a aprovação de projetos de lei que viabilizem a venda da Sabesp. A oposição, por sua vez, tem utilizado todos os instrumentos regimentais para atrasar o processo, incluindo a convocação de audiências públicas e a apresentação de emendas. A acusação de violência política de gênero adiciona mais um elemento de tensão ao cenário, levantando questões sobre o respeito ao trabalho parlamentar feminino e a condução dos debates na Assembleia.
O caso também chama a atenção para a atuação de Gilmaci Santos, que é um dos principais articuladores do governo Tarcísio na Casa. Sua postura na audiência foi criticada por parlamentares da oposição, que a consideraram autoritária e desrespeitosa. Já a base governista saiu em defesa do líder, argumentando que ele agiu dentro de suas atribuições e que a acusação de violência de gênero é infundada. A deputada Ana Carolina Serra afirmou que vai protocolar uma representação contra Gilmaci Santos na Comissão de Ética da Assembleia e também no Ministério Público, para que o caso seja investigado.
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