O Governo de Alagoas pagou R$ 7 milhões em uma desapropriação para uma empresa pertencente à avó da primeira-dama do estado, conforme revelou o portal AL 102. O valor foi destinado à indenização por terrenos situados no traçado das obras de duplicação da rodovia AL-102, uma das principais vias de escoamento da região. A transação ocorreu sem que houvesse licitação ou concorrência pública, o que acendeu alertas sobre possíveis conflitos de interesse na administração estadual.
A empresa beneficiada, cujo nome não foi divulgado na reportagem original, tem como sócia a avó da primeira-dama, cujo nome também não foi especificado. O pagamento foi autorizado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) e consta nos registros oficiais de desapropriações do governo. A obra da AL-102, que liga a capital Maceió ao interior, é considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e logístico do estado, mas o episódio levanta dúvidas sobre a lisura do processo de indenização.
Contexto político e transparência
O caso ocorre em um momento de intenso debate sobre a transparência dos gastos públicos em Alagoas. O governo estadual, liderado pelo governador Paulo Dantas (MDB), tem enfrentado críticas da oposição e de entidades de controle social por supostas irregularidades em contratos e desapropriações. A proximidade familiar entre a beneficiária e a primeira-dama, cujo papel institucional é de representação social, acirra as suspeitas de favorecimento, embora não haja, até o momento, comprovação de ilegalidade.
Especialistas em direito público ouvidos pela reportagem destacam que desapropriações são procedimentos comuns em obras de infraestrutura, mas devem seguir critérios técnicos e impessoais. O valor de R$ 7 milhões, considerado elevado para a região, chama a atenção por não ter sido precedido de uma avaliação independente amplamente divulgada. A Seinfra, procurada, não se manifestou oficialmente sobre o caso até o fechamento desta edição.
O episódio reforça a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle e fiscalização em processos de desapropriação, especialmente quando envolvem parentes de autoridades. A sociedade civil e os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL), devem acompanhar de perto o desdobramento do caso, que pode se tornar um precedente para futuras transações imobiliárias do poder público em Alagoas.
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