O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), anunciou neste domingo (26), durante evento em Serra Talhada, no Sertão do estado, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende retornar a Pernambuco em breve para cumprir compromissos ao seu lado. A declaração foi feita em meio a um ato político que reuniu lideranças locais e regionais, e sinaliza a continuidade da aliança entre o PSB e o PT no estado, que já se consolidou nas eleições municipais de 2024 e deve se estender para o pleito estadual de 2026.
Segundo João Campos, a visita de Lula está sendo articulada para os próximos meses, com foco em agendas de governo e ações de desenvolvimento para o estado. “O presidente me ligou e disse que quer vir a Pernambuco para andarmos juntos, para cumprir compromissos que fizemos com o povo pernambucano”, afirmou o prefeito do Recife, que é o principal nome do PSB para suceder a governadora Raquel Lyra (PSDB) em 2026. O anúncio ocorre em um momento de intensa movimentação política no estado, com a oposição buscando fortalecer candidaturas próprias e o governo federal ampliando sua presença nos estados nordestinos.
A visita de Lula a Pernambuco, caso confirmada, será a segunda ao estado em menos de um ano. Em 2025, o presidente esteve em Recife e Petrolina para inaugurar obras do PAC e reforçar parcerias com prefeituras. Agora, a expectativa é que a agenda inclua também cidades do Sertão, como Serra Talhada, berço político de Lula — que nasceu em Caetés, município vizinho — e reduto histórico do PT na região. A escolha do local para o anúncio não é casual: Serra Talhada é um dos principais polos políticos do Sertão pernambucano e tem sido palco de disputas acirradas entre as bases do PSB e do PT.
O anúncio de João Campos também ocorre em um contexto de reconfiguração das alianças partidárias em Pernambuco. Enquanto o PSB e o PT consolidam uma frente ampla de esquerda, partidos como o PSDB, o União Brasil e o PL articulam candidaturas próprias ou coligações de centro-direita. A governadora Raquel Lyra, que rompeu com o PSB em 2022, tenta se viabilizar para a reeleição, mas enfrenta resistência dentro do próprio partido e de aliados históricos. Já o PL, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, aposta em nomes como o deputado federal André Ferreira (PL) para tentar avançar no estado.
Para analistas políticos, a visita de Lula a Pernambuco, ao lado de João Campos, tem um forte simbolismo. “Ela reforça a aliança entre o PT e o PSB, que já foi testada nas eleições municipais e agora se projeta para o estadual. Além disso, mostra que o governo federal está disposto a investir politicamente no estado, o que pode influenciar o eleitorado do Sertão, tradicionalmente sensível a gestos de aproximação do presidente”, avalia o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo. A agenda de Lula em Pernambuco também deve incluir encontros com prefeitos e lideranças comunitárias, além de anúncios de investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
O evento em Serra Talhada contou com a presença de prefeitos, vereadores e lideranças de partidos aliados, como o PCdoB, o PV e o Republicanos. Em seu discurso, João Campos destacou a importância da união das forças progressistas para enfrentar os desafios do estado. “Pernambuco precisa de um projeto que una desenvolvimento social, geração de emprego e respeito à democracia. E é isso que estamos construindo com o presidente Lula e com todos os que acreditam em um futuro melhor para o nosso povo”, declarou. A fala foi recebida com aplausos e gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro” por parte dos presentes.
A confirmação da data da visita de Lula a Pernambuco ainda não foi divulgada, mas a expectativa é que ocorra entre julho e agosto deste ano, antes do início oficial da campanha eleitoral de 2026. Enquanto isso, João Campos segue em agenda pelo estado, consolidando alianças e apresentando propostas para as áreas de segurança, educação e desenvolvimento econômico. O cenário político pernambucano, portanto, promete ser um dos mais disputados do país nas próximas eleições, com a polarização entre as forças de esquerda e de direita se acirrando a cada novo movimento.
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