A **Polícia Federal (PF)** intensifica as investigações sobre a controversa aquisição de carteiras de crédito do **Banco Master** pelo **Banco de Brasília (BRB)**, uma operação bilionária avaliada em cerca de **R$ 12 bilhões**. Em depoimentos cruciais colhidos pela PF, funcionários do **BRB** relataram a existência de problemas já identificados internamente e apontaram fortes indícios de fraude intencional na transação. Os servidores, ouvidos como testemunhas, detalharam falhas na auditoria interna que precedeu a compra, fortalecendo a tese de que a negociação não se tratou de um mero erro, mas de uma ação deliberada com potencial impacto significativo na estabilidade financeira da instituição. Este escândalo, que já levou a profundas mudanças na diretoria do **BRB**, expõe vulnerabilidades nos mecanismos de controle e compliance do setor bancário público.
Os depoimentos dos servidores, que atuaram diretamente na auditoria interna do **BRB**, são peças-chave no inquérito. Eles confirmaram que as irregularidades agora sob escrutínio do **Banco Central (BC)** já haviam sido sinalizadas internamente, mas não foram devidamente endereçadas. Subordinados ao então diretor de Finanças e Controladoria do **BRB**, **Dario Oswaldo de Garcia Junior**, os funcionários indicaram que a operação de compra de carteiras de crédito sem lastro do **Banco Master** apresentava sinais claros de manipulação. Segundo informações obtidas pelo blog da Camila Bomfim, do G1, esses relatos sugerem que o ex-diretor teria desconsiderado critérios essenciais de compliance e segurança interna do banco, o que, na avaliação dos investigadores, enfraquece a hipótese de um simples equívoco e solidifica a linha de apuração sobre uma possível fraude.
O próprio **Dario Oswaldo de Garcia Junior** já foi ouvido pela **Polícia Federal**. Em seu depoimento, ele alegou não ter conhecimento detalhado sobre o que estava sendo adquirido na operação de **R$ 12 bilhões**, tampouco compreendia como o **BRB** acabou comprando um volume tão elevado de créditos considerados problemáticos. Contudo, a versão do ex-diretor contrasta com as evidências apresentadas pelos funcionários e com as conclusões preliminares dos investigadores. As repercussões do caso foram imediatas e severas para o **BRB**: a instituição não conseguiu divulgar seu balanço de 2025 no prazo, e uma troca completa em sua diretoria foi promovida, culminando com a saída de **Dario Oswaldo de Garcia Junior** do cargo. A defesa do ex-diretor, procurada para comentar os depoimentos dos funcionários, não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
Afastamento Judicial e Indícios de Gestão Fraudulenta
A gravidade da situação levou à intervenção judicial. **Dario Oswaldo de Garcia Junior** foi afastado do cargo de diretor em novembro do ano passado por ordem da **Justiça Federal do Distrito Federal**. O **Juiz Ricardo Leite**, responsável pela decisão, justificou o afastamento “diante dos indícios de autoria prova da materialidade delitiva do crime de gestão fraudulenta e possível associação criminosa e a deliberação do salvamento do **Banco Master**”. O caso, que inicialmente tramitou na primeira instância, foi posteriormente remetido ao **STF** devido a questões de foro. Na mesma decisão, o magistrado apontou que o então presidente do **BRB**, **Paulo Henrique Costa**, e **Dario** não foram “capazes de providenciar contratos de crédito falsos, comprovantes de depósitos falsos, averbações falsas e outros documentos destinados a comprovar a validade de carteiras de créditos insubsistentes”, evidenciando a complexidade e a profundidade das irregularidades investigadas.
Panorama Político e a Urgência da Governança
Este escândalo no **BRB** se insere em um contexto mais amplo de crescente fiscalização sobre instituições financeiras e a administração pública no Brasil. A fragilidade nos controles internos e a aparente desconsideração de alertas de compliance levantam sérias questões sobre a governança corporativa em bancos estatais. O caso reflete a pressão por maior transparência e responsabilidade, em um momento em que outras investigações de grande porte, como a **CPI do Crime intensifica investigação sobre PCC na Faria Lima**, expõem a intersecção entre o setor financeiro e atividades ilícitas. A sociedade exige respostas e medidas eficazes para coibir práticas que comprometem a confiança no sistema financeiro e o uso adequado dos recursos públicos, conforme apurado pelo G1 em 6 de abril de 2026.
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