Escândalo Master: JHC é flagrado em aeronave de empresário com contratos milionários na Prefeitura de Maceió

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), foi flagrado utilizando uma aeronave particular de propriedade de um empresário que mantém contratos milionários com a administração municipal, conforme revelou reportagem do portal Metrópoles publicada nesta semana. A imagem, obtida pelo veículo, mostra o gestor público embarcando no jatinho de Antônio Carlos de Oliveira, dono da Master Construções, empresa que já recebeu mais de R$ 200 milhões em contratos com a Prefeitura de Maceió desde 2021. O episódio, batizado de Escândalo Master, ocorre em meio a investigações do Ministério Público de Alagoas sobre possíveis irregularidades em licitações e superfaturamento de obras públicas.

A reportagem do Metrópoles, originalmente publicada no dia 15 de outubro de 2024, traz imagens capturadas no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Rio Largo, na região metropolitana de Maceió. Nelas, JHC aparece ao lado de Oliveira e de outros assessores, embarcando em um jato executivo modelo Phenom 300, prefixo PR-XMA. A aeronave, avaliada em cerca de R$ 15 milhões, pertence à Master Aviação, braço do grupo empresarial que tem como principal cliente a Prefeitura de Maceió. Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL) indicam que a Master Construções foi contratada para obras de pavimentação, drenagem e construção de escolas, com valores que ultrapassam R$ 200 milhões desde 2021, ano em que JHC assumiu a prefeitura.

O caso ganhou contornos políticos nacionais, já que JHC é um dos principais nomes do União Brasil e figura como potencial candidato ao governo de Alagoas em 2026. A oposição, liderada pelo ex-governador Renan Filho (MDB) e pelo senador Renan Calheiros (MDB), já classificou o episódio como “mais um capítulo da promiscuidade entre o poder público e o setor privado em Maceió”. Em nota, a Prefeitura de Maceió afirmou que “não há qualquer irregularidade” e que o prefeito “utilizou a aeronave a convite do empresário para tratar de projetos sociais”. No entanto, a reportagem do Metrópoles destaca que a viagem ocorreu em 12 de setembro de 2024, com destino a Brasília, onde JHC participou de reuniões com ministros do governo federal para liberação de verbas para a capital alagoana.

Panorama político e repercussões

O Escândalo Master se insere em um contexto de crescente tensão política em Alagoas, onde as eleições municipais de 2024 já haviam sido marcadas por denúncias de corrupção. Em setembro, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar contratos da Master Construções com a Prefeitura de Maceió, após denúncias de superfaturamento em obras de drenagem no bairro do Vergel do Lago. A empresa também é alvo de ação civil pública por improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL), que aponta indícios de fraude em licitações. O caso reacende o debate sobre a transparência nos contratos públicos e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle, especialmente em prefeituras que concentram grandes volumes de recursos federais.

Além disso, a revelação do Metrópoles ocorre em meio a uma crise de credibilidade das instituições alagoanas, após o escândalo da Operação Taturana, que em 2023 prendeu secretários municipais de Maceió por suspeita de desvio de recursos da saúde. A oposição já anunciou que pedirá a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Maceió para investigar a relação entre JHC e a Master Construções. O presidente da Câmara, vereador Chico Filho (União Brasil), aliado de JHC, afirmou que “não há motivos para CPI”, mas admitiu que o caso “precisa ser esclarecido”. Enquanto isso, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) informou que analisará as imagens para verificar se houve uso de bem particular para fins eleitorais, o que poderia configurar abuso de poder econômico.

A reportagem do Metrópoles também destaca que o empresário Antônio Carlos de Oliveira é um dos principais financiadores de campanhas políticas em Alagoas, tendo doado R$ 1,2 milhão para candidatos do União Brasil nas eleições de 2022. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a Master Construções foi a segunda maior doadora da campanha de JHC em 2020, com R$ 500 mil. Especialistas em direito eleitoral consultados pelo Metrópoles apontam que o uso da aeronave pode configurar “caixa dois” eleitoral, caso fique comprovado que o voo teve finalidade de campanha. O caso já gerou reações de entidades como a Transparência Internacional Brasil, que classificou a situação como “grave” e pediu a investigação imediata por parte do Ministério Público Eleitoral.

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