Europa se une contra ameaça de mísseis balísticos russos: nova coalizão promete defesa compartilhada

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, esteve em Paris no início da semana onde, ao lado de Emmanuel Macron, foi anunciada uma coalizão para proteger a Europa de mísseis balísticos. Em comunicado, a coalizão afirmou que o objetivo é “construir uma capacidade de defesa compartilhada contra mísseis balísticos para a Europa”. O anúncio é voltado principalmente para os mísseis vindos da Rússia, que travam uma guerra contra a Ucrânia desde 2022 e que vem utilizando mísseis balísticos com mais frequência para atacar alvos inimigos. Em um dos ataques mais pesados a Kiev desde o início do conflito, no último dia 6, a Rússia lançou 23 mísseis balísticos, e as defesas ucranianas não conseguiram derrubar nenhum deles.

Os mísseis balísticos funcionam de modo semelhante a um foguete: eles são lançados a grandes altitudes — centenas de quilômetros do nível do mar, a depender da distância do alvo. Sem a resistência do ar, os projéteis podem atingir velocidades altíssimas, dez ou vinte vezes mais rápidas que a velocidade do som. Os mísseis desaceleram em sua descida, que às vezes dura menos de um minuto, mas podem atingir o alvo a uma velocidade de 3.200 km/h. Outros mísseis, de cruzeiro, usam uma estratégia diferente: muitas vezes eles voam baixo, a metros do chão, fora do alcance dos radares aéreos, e podem ser guiados de forma remota para o alvo. Embora ambos apresentem dificuldades para serem abatidos por sistemas de defesa, os mísseis balísticos são mais difíceis, em geral, de serem interceptados, por terem mais energia cinética em sua fase final de voo.

Mísseis Oreshnik e o sistema Patriot

Em janeiro, a Rússia começou a usar com frequência seus mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik. Essa classe de mísseis tem alcance intermediário (pode atingir alvos a até 5.500 km de distância) e é capaz de atingir velocidades de até 13 mil km/h. Isso permitiria alcançar grande parte da Europa a partir do território russo ou de Belarus, onde unidades do sistema já foram instaladas. A Europa já forneceu para a Ucrânia diversos sistemas de defesa antiaérea contra mísseis de cruzeiro. Contra mísseis balísticos, porém, Kiev tem contado principalmente com o sistema americano Patriot, o mais avançado do mundo atualmente. O Patriot (que vem da sigla em inglês “Phased Array Tracking Radar for Intercept on Target” — “Radar de rastreamento por matriz em fase para interceptação de alvo”) é um sistema de defesa aérea de longo alcance, capaz de interceptar mísseis balísticos e de cruzeiro, além de aeronaves.

O anúncio da coalizão ocorre em um contexto de crescente tensão geopolítica na Europa, com a guerra na Ucrânia se arrastando desde 2022 e a Rússia intensificando o uso de mísseis balísticos contra alvos civis e militares. A capacidade de defesa europeia, que historicamente dependeu dos Estados Unidos, agora busca maior autonomia, especialmente após a saída de Washington de acordos de controle de armas. A aliança, que inclui França, Ucrânia e outros países europeus, visa não apenas proteger a Ucrânia, mas também garantir a segurança de todo o continente contra ameaças balísticas, que podem atingir qualquer país europeu em questão de minutos.

Fonte: ver noticia original

One thought on “Europa se une contra ameaça de mísseis balísticos russos: nova coalizão promete defesa compartilhada”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *