Ex-ministro Márcio França retoma projeto de candidatura ao governo de SP para garantir segundo turno

O ex-ministro Márcio França (PSB) retomou as conversas para disputar o governo de São Paulo, com o argumento de que isso poderia viabilizar a realização de um segundo turno no estado. Emissários dele conversaram com lideranças do PT estaduais na semana passada, conforme apurou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, em publicação no dia 21 de junho de 2026.

A movimentação ocorre em um momento de indefinição sobre o quadro sucessório paulista, com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) buscando a reeleição e enfrentando resistências internas e externas. A candidatura de França, ex-prefeito de São José do Rio Preto e ex-governador do estado, é vista por setores da oposição como uma alternativa para unificar a centro-esquerda e evitar que a disputa se resolva já no primeiro turno.

Segundo interlocutores, a estratégia de França é apresentar-se como um nome capaz de agregar votos não apenas do PSB, mas também de partidos como PT, PSOL e Rede, além de setores do centro político. O argumento central é que, sem uma candidatura competitiva de oposição, Tarcísio poderia ser reeleito já no primeiro turno, o que enfraqueceria a democracia e reduziria o debate de propostas.

Panorama político e impacto eleitoral

A retomada do projeto de França ocorre em meio a um cenário de fragmentação da oposição em São Paulo. O PT ainda não definiu se lançará candidatura própria ou apoiará um nome de outro partido. A conversa com lideranças petistas na semana passada indica que há disposição para negociar, mas também resistências internas, especialmente da ala que defende a candidatura do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL).

Especialistas apontam que, se França conseguir unificar a centro-esquerda, o segundo turno se torna provável, dado que Tarcísio, embora tenha alta aprovação, enfrenta desgaste com a base bolsonarista e com setores do agronegócio. A presença de um candidato forte da oposição poderia também influenciar a disputa nacional, já que São Paulo é o maior colégio eleitoral do país.

O ex-ministro, que comandou o Ministério do Turismo no governo Lula, tem se movimentado nos bastidores para consolidar apoios. A expectativa é que, nas próximas semanas, haja novas reuniões com dirigentes partidários e movimentos sociais para definir os rumos da candidatura.

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