A agência de classificação de risco Fitch piorou e retirou a avaliação sobre o banco Digimais na segunda-feira (22), véspera da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (23). A operação bloqueou R$ 670 milhões em recursos do banco, que pertence ao grupo empresarial ligado ao bispo Edir Macedo. A medida da Fitch reflete o agravamento da percepção de risco sobre a instituição financeira, que já vinha sendo monitorada por órgãos reguladores.
A decisão da Fitch ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre o setor bancário brasileiro, especialmente sobre instituições com vínculos religiosos e políticos. O rebaixamento do rating do Digimais sinaliza para o mercado que a saúde financeira do banco pode estar comprometida, o que pode impactar investidores e correntistas. A agência não detalhou os motivos específicos da piora, mas a operação da PF sugere que há indícios de irregularidades que justificam a ação.
Detalhes da Operação Miragem
A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem na manhã desta terça-feira (23), cumprindo mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao Digimais e a seus controladores. O bloqueio de R$ 670 milhões foi autorizado pela Justiça Federal, com base em suspeitas de fraudes contábeis, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas. A investigação apura se o banco teria utilizado recursos de correntistas para operações de risco sem a devida transparência.
O Digimais é um banco digital que cresceu rapidamente nos últimos anos, especialmente entre fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo. A instituição oferece serviços financeiros com taxas atrativas, mas sua expansão acelerada levantou suspeitas entre reguladores. A operação da PF é um desdobramento de investigações que já duravam meses, envolvendo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central.
Panorama político e econômico
O caso do Digimais insere-se em um cenário de maior vigilância sobre o sistema financeiro nacional, especialmente após escândalos envolvendo bancos médios e digitais. O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem reforçado a atuação de órgãos de controle, como a PF e a Receita Federal, para coibir práticas ilícitas no setor. A operação também ocorre em meio a debates no Congresso sobre a regulação de bancos digitais e a necessidade de maior transparência.
Para analistas, o rebaixamento da Fitch e a operação da PF podem ter efeitos cascata no mercado, incluindo a desconfiança de investidores e a possível fuga de depósitos. O Digimais, que já enfrentava dificuldades para captar recursos no mercado internacional, agora vê sua credibilidade ainda mais abalada. A situação também levanta questionamentos sobre a atuação de bancos ligados a grupos religiosos, que muitas vezes operam com menos escrutínio do que instituições tradicionais.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas. O Digimais, por meio de nota, afirmou que colabora com as autoridades e que as suspeitas são infundadas. No entanto, o mercado reage com cautela, e a tendência é de que o banco enfrente um período de instabilidade. O caso reforça a importância de uma regulação robusta para evitar que instituições financeiras se tornem veículos de riscos sistêmicos.
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