Fornecedora denuncia calote de 9 meses em obra investigada pela PF na Saúde de Alagoas

Uma fornecedora denunciou publicamente um calote de nove meses em uma obra investigada pela Polícia Federal na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). A empresária afirma que a NG Engenharia, contratada para construir o Hospital Regional do Médio Sertão, deixou fornecedores sem pagamento. A empresa é alvo da Operação Estágio IV, que apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 100 milhões na Sesau.

Segundo a denunciante, os pagamentos estão atrasados desde o início de 2025, acumulando uma dívida que já ultrapassa R$ 1,2 milhão apenas com sua empresa. Ela relata que a NG Engenharia, apesar de receber recursos públicos para a obra, não repassou os valores devidos aos fornecedores, comprometendo o andamento do projeto e a saúde financeira de pequenos negócios locais.

Impacto na obra e na economia local

A construção do Hospital Regional do Médio Sertão, localizado em Santana do Ipanema, é considerada estratégica para a região, que carece de infraestrutura hospitalar de média e alta complexidade. Com o calote, a obra sofreu paralisações intermitentes, e fornecedores de materiais como concreto, aço e equipamentos médicos suspenderam entregas. A empresária afirma que a situação já levou ao desemprego de pelo menos 15 trabalhadores terceirizados, que dependiam dos pagamentos para manter suas atividades.

A denúncia foi formalizada junto ao Ministério Público Estadual e à Controladoria-Geral do Estado, que já iniciaram apurações preliminares. A NG Engenharia, por sua vez, não se manifestou oficialmente até o fechamento desta reportagem.

Panorama político e investigações

A Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2025, investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos na Sesau, envolvendo contratos de obras e serviços. As investigações apontam que o esquema pode ter movimentado mais de R$ 100 milhões entre 2022 e 2025, com a participação de empresas como a NG Engenharia. A operação é um desdobramento de investigações anteriores que já resultaram em prisões e afastamentos de servidores públicos.

O caso ganha relevância em meio a um cenário de escândalos na saúde pública alagoana, que já registrou outras denúncias de superfaturamento e irregularidades em contratos emergenciais. A situação expõe fragilidades na fiscalização de obras públicas e levanta questionamentos sobre a transparência na gestão dos recursos destinados à saúde no estado.

A reportagem tentou contato com a Sesau e com a NG Engenharia, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.

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