O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu duramente à declaração do prefeito de Nova York, Eric Adams, que, em entrevista divulgada no sábado (18), revelou que sua equipe está discutindo a possibilidade de prender o líder israelense durante sua viagem para a Assembleia Geral da ONU. A resposta, emitida por fontes oficiais de Jerusalém, classificou o Tribunal Penal Internacional (TPI) como uma ‘fachada’ e rejeitou qualquer legitimidade da corte para agir contra Netanyahu.
Na entrevista, Adams afirmou que a administração municipal está avaliando os procedimentos legais cabíveis caso Netanyahu desembarque em território americano para participar do evento diplomático. A declaração ocorre em meio a um crescente movimento internacional que busca responsabilizar lideranças israelenses por supostas violações do direito internacional em conflitos recentes. O prefeito, no entanto, não detalhou quais medidas concretas seriam adotadas, limitando-se a dizer que ‘a equipe está analisando o cenário’.
Resposta de Jerusalém e o contexto do TPI
Em reação, o gabinete de Netanyahu afirmou que o TPI ‘não tem jurisdição’ sobre Israel, país que não é signatário do Estatuto de Roma, tratado que criou a corte. A declaração oficial ainda acusou o tribunal de ser ‘uma fachada para ataques políticos contra o Estado judeu’. A tensão se insere em um panorama mais amplo: nos últimos meses, o TPI emitiu ordens de prisão contra líderes israelenses e do Hamas por crimes de guerra, gerando reações polarizadas na comunidade internacional.
Enquanto isso, a Assembleia Geral da ONU, que ocorrerá em setembro em Nova York, deve ser palco de intensos debates sobre o conflito no Oriente Médio. A possibilidade de uma detenção de Netanyahu em solo americano levanta questões jurídicas complexas, já que os Estados Unidos também não são signatários do TPI, mas Nova York, como cidade-sede da ONU, tem obrigações diplomáticas especiais. Especialistas apontam que, mesmo que Adams queira agir, a prerrogativa federal pode sobrepor qualquer decisão local.
O episódio reflete a crescente politização do TPI e as divisões globais sobre como lidar com lideranças acusadas de crimes de guerra. Enquanto grupos de direitos humanos aplaudem a iniciativa de Adams, governos aliados de Israel, como o dos EUA, tendem a rejeitar qualquer ação que possa isolar diplomaticamente Netanyahu. A situação promete escalar nas próximas semanas, com a aproximação da Assembleia Geral.
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