Governo inicia retirada gradual de subsídios aos combustíveis com fim de R$ 0,35 no diesel

A queda recente no preço do petróleo levou o governo federal a anunciar, nesta terça-feira (30), o início da retirada gradual dos subsídios criados para conter a alta dos combustíveis, desencadeada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A primeira medida concreta é o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, que deixa de valer a partir desta quarta-feira (1º). A decisão, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi possível porque o preço internacional do petróleo voltou a patamares próximos aos registrados antes da crise no Oriente Médio, reduzindo a necessidade de manter as medidas emergenciais.

O anúncio ocorre em um contexto de alívio temporário nos mercados internacionais, mas ainda sob incertezas geopolíticas. A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, que elevou os preços do petróleo a níveis históricos, havia forçado o governo a adotar subsídios emergenciais para evitar impactos severos na economia doméstica. Agora, com a retomada parcial da estabilidade, a equipe econômica avalia os próximos passos. Durigan afirmou que a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel é apenas o primeiro passo: “Estamos tirando a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel a partir de amanhã e não vamos parar por aqui. Estamos em avaliação da outra subvenção do diesel, que é R$ 1,12, e, em especial, também da gasolina, de R$ 0,44”. O ministro explicou que a equipe econômica acompanha diariamente a evolução do preço do petróleo e dos combustíveis no mercado interno, para decidir quando os demais incentivos poderão ser retirados.

O que muda

Neste primeiro momento, apenas a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel será encerrada. Os demais benefícios continuam em vigor, mas passam por avaliação do governo. A medida impacta diretamente o setor de transportes e a logística do país, já que o diesel é o principal combustível utilizado por caminhões e máquinas agrícolas. A retirada gradual busca equilibrar as contas públicas sem gerar choques abruptos nos preços ao consumidor final.

O que continua valendo

  • subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel;
  • subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina;
  • subsídio ao gás de cozinha (GLP);

O governo também anunciou, em paralelo, a abertura de crédito de R$ 550 milhões para subsidiar o diesel, conforme noticiado anteriormente pela Agência Brasil. A medida reflete a complexidade do cenário: enquanto o preço do petróleo cai, a pressão sobre o orçamento federal permanece, com subsídios que somam bilhões de reais. O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) destacou que o Brasil sentiu menos o aumento do petróleo que outros países, graças às políticas de contenção, mas alertou para a necessidade de planejamento de longo prazo. A retirada gradual dos subsídios ocorre em meio a debates no Congresso sobre a sustentabilidade fiscal e a transição energética, com diferentes setores cobrando transparência e previsibilidade nas decisões do governo.

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