Governo Lula articula ofensiva contra Rubio e negociação direta com Trump para evitar novo tarifaço dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma estratégia dupla para evitar um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos: atacar publicamente o secretário de Estado Marco Rubio, apontado como alinhado à família Bolsonaro, e buscar uma negociação direta com o presidente Donald Trump, considerado mais aberto a acordos comerciais. A avaliação de assessores palacianos é que Rubio, por questões ideológicas, está fechado com o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, enquanto Trump ainda pode ser convencido a manter uma postura favorável ao Brasil. A movimentação ocorre em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países e à iminência de uma reunião do G7, marcada para junho na França, onde Lula espera encontrar-se pessoalmente com Trump.

De acordo com fontes do Palácio do Planalto, a equipe presidencial acredita que Marco Rubio está fazendo prevalecer sua posição ideológica contra o governo Lula, algo que ele já externou publicamente em declarações anteriores. Por outro lado, a avaliação interna é de que Donald Trump poderia manter uma atitude mais favorável ao presidente brasileiro, especialmente se houver um canal direto de comunicação. Lula, segundo assessores, quer saber se Trump segue disposto a negociar com o governo brasileiro ou se mudou de posição, adotando medidas alinhadas aos desejos dos Bolsonaro. A expectativa é que o encontro no G7, entre os dias 15 e 17 de junho, possa selar esse entendimento.

Lei da Reciprocidade e defesa do Pix como trincheira política

Caso Trump indique que mudou sua postura, a equipe de Lula entenderá que os EUA vão aplicar um novo tarifaço e o Brasil terá de reagir com base na Lei da Reciprocidade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. Essa legislação permite ao governo brasileiro impor sobretaxas equivalentes a produtos norte-americanos, em uma resposta comercial simétrica. No entanto, uma concessão aos Estados Unidos em pontos estratégicos, como o Pix, está totalmente descartada. Essa posição já está definida dentro do governo brasileiro e será usada na campanha eleitoral contra Flávio Bolsonaro, que tem defendido mudanças no sistema de pagamentos instantâneos.

Em caso de tarifaço, a equipe de Lula vai reforçar ainda mais o discurso de que Flávio Bolsonaro se alinhou ao governo Trump, que defende alterações no Pix que poderiam prejudicar os brasileiros. Esse tom já se mostrou eficiente para desgastar o pré-candidato do PL, segundo avaliações internas do Planalto. A estratégia busca vincular a imagem dos Bolsonaro a uma política externa que, na visão do governo, ameaça a soberania econômica e digital do país. A ofensiva política interna, portanto, caminha lado a lado com a negociação internacional.

Na reunião ministerial desta semana, Lula disse ter decidido comparecer à reunião do G7 exatamente para tentar se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, que, a princípio, havia confirmado presença. O encontro, se confirmado, pode ser decisivo para definir os rumos da relação bilateral e evitar um novo tarifaço que impactaria setores como o agronegócio, a indústria automotiva e o comércio de aço. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém abertos canais de diálogo com a Casa Branca, mas sem abrir mão de sua posição defensiva em relação ao Pix e à Lei da Reciprocidade.

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