Lula defende soberania alimentar como arma estratégica e anuncia R$ 97,3 bilhões para agricultura familiar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (30), durante o lançamento do Plano Safra para agricultores familiares, que a soberania alimentar é a melhor arma que um país pode ter, e anunciou investimentos de R$ 97,3 bilhões em crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural. A declaração ocorreu em Brasília (DF), em um evento que reuniu representantes do setor e autoridades do governo federal, e reforça a prioridade do governo em garantir a produção diversificada de alimentos como base para o desenvolvimento econômico e social.

O montante anunciado integra o Plano Safra 2026/2027, que totaliza R$ 525,1 bilhões para o setor agropecuário, conforme divulgado anteriormente pela Agência Brasil. Desse total, os R$ 97,3 bilhões são direcionados especificamente à agricultura familiar, com linhas de crédito subsidiadas, programas de seguro rural e iniciativas de assistência técnica. O governo federal também destacou a importância de reduzir a taxa de juros para os produtores, em negociação com bancos públicos, como forma de estimular o crescimento econômico e a circulação de recursos nas regiões produtoras.

Panorama político e econômico

A fala de Lula ocorre em um contexto de desafios econômicos, com a inflação de maio registrando 0,58%, influenciada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos. Dados recentes indicam que a inflação projetada para 2026 chega a 5,33%, o que acende alerta em estados como Alagoas, onde consumidores já sentem os efeitos no bolso. Paralelamente, pesquisa BTG/Nexus aponta empate técnico na avaliação do governo federal, com aprovação e reprovação ambas em 48%, o que reforça a necessidade de políticas públicas que gerem resultados concretos para a população.

O presidente relembrou uma conversa com o então presidente venezuelano Hugo Chávez (que governou o país entre 1999 e 2013), na qual destacou a dificuldade da Venezuela em produzir itens básicos como leite e ovo. “Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?”, disse Lula a Chávez, na ocasião em que o venezuelano apresentava aviões de caça. O presidente defendeu que o Brasil deve importar apenas os gêneros que não consegue produzir, priorizando a autossuficiência e a segurança alimentar.

Em Alagoas, o cenário de insegurança alimentar grave foi reduzido em mais de 1 milhão de pessoas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A melhora reflete políticas de transferência de renda e fortalecimento da agricultura familiar, mas ainda há desafios para garantir acesso a alimentos de qualidade para toda a população. O governo federal também tem investido em programas de compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que conecta pequenos produtores a escolas, hospitais e outras instituições.

Lula incentivou os agricultores familiares a utilizarem os recursos disponíveis para financiamento, argumentando que o dinheiro aplicado no setor faz a economia crescer e circular. “Se tiver um dinheirinho, vai utilizar em benefício da produção e da comunidade”, afirmou. O governo também anunciou que continuará buscando a redução das taxas de juros para crédito rural, em parceria com bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

O Plano Safra 2026/2027 representa um dos maiores investimentos já feitos no setor, com foco em sustentabilidade, inovação e inclusão produtiva. A expectativa é que os recursos gerem empregos, aumentem a renda no campo e contribuam para a estabilidade dos preços dos alimentos no mercado interno. A iniciativa também se alinha a metas de redução da pobreza e da fome, como as registradas em Alagoas, onde mais de 1 milhão de pessoas saíram da insegurança alimentar grave.

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