O Mercosul e o Japão deram, nesta terça-feira (30), o primeiro passo formal para fechar um acordo de parceria econômica, durante a cúpula de chefes de Estado realizada no Paraguai. A negociação, que vai além de um tratado de livre comércio com redução de tarifas, prevê maior integração nos negócios, incluindo a participação de empresas dos países integrantes em licitações governamentais e cooperação para o desenvolvimento de novas tecnologias e patentes de medicamentos. O Brasil, que concentra 93% das exportações do bloco para o país asiático e recebe 77% das importações, busca aumentar a venda de carnes e de produtos agrícolas.
O Japão, quarta maior economia do mundo, é um dos principais parceiros comerciais do Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a Bolívia – esta ainda em fase de integração ao bloco. Nos próximos dois meses, técnicos discutirão quais áreas serão incluídas no tratado. Os japoneses têm interesse em exportar produtos industrializados de alta tecnologia, como componentes robóticos e carros, e estão de olho no minério da América do Sul.
Panorama político e comercial
O movimento ocorre em um contexto de intensificação da busca por novos mercados pelo Mercosul. O bloco também busca ampliar parcerias com Índia, Vietnã e Reino Unido. As negociações com os Emirados Árabes Unidos e com o Canadá estão em fase final. Já o acordo de livre comércio com a União Europeia entrou em vigor, de maneira provisória, em maio de 2026.
Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, a busca por mais parcerias se intensificou depois do tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump. “As tarifas criadas pelos Estados Unidos têm feito com que vários países buscassem novos mercados, buscassem diversificar seus parceiros comerciais, e isso tem levado a mais acordos. Foi isso que possibilitou, de certa forma, o acordo com a União Europeia. Com o Japão, essa negociação já era mais antiga e nunca evoluiu. A expectativa agora é que ela possa evoluir no cenário em que tanto o Mercosul quanto o Japão querem diversificar e aumentar o comércio bilateral”, afirmou Barral, advogado especializado em comércio internacional.
A cúpula do Mercosul também criticou as assimetrias com a União Europeia e anunciou negociações comerciais com a China, ampliando a estratégia de diversificação de parceiros em meio às tensões comerciais globais.
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