Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3) indica que 65% dos brasileiros concordam mais com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”, o maior percentual da série histórica do instituto. Outros 31% afirmam que “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida”, enquanto 4% não souberam responder. O levantamento, que integra a matriz ideológica do instituto no eixo econômico, foi realizado com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e 95% de nível de confiança, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
O percentual dos que defendem menor dependência do governo é o maior registrado desde o início da série histórica, em 2013. Na primeira edição da pesquisa, as opiniões estavam empatadas: 47% defendiam depender menos do governo e 47% preferiam mais benefícios estatais. Desde então, segundo o instituto, a diferença entre as duas posições aumentou de forma consistente nas pesquisas realizadas em 2014, 2017, 2022 e agora em 2026.
Perfil dos entrevistados
A preferência por depender menos do governo varia entre homens e mulheres. Entre os homens, 71% defendem menor dependência do governo, enquanto entre as mulheres, 59% compartilham dessa opinião. Regionalmente, o Sudeste concentra o maior percentual de entrevistados que afirmam que depender menos do governo melhora a vida, com 70%. Já o Nordeste apresenta a maior proporção de pessoas que preferem mais benefícios governamentais: 38% afirmam que a vida melhora quanto maior for o apoio do Estado.
Recorte por intenção de voto
Entre os eleitores do presidente Lula (PT), 50% afirmam que depender menos do governo melhora a vida, enquanto 45% preferem a alternativa de mais benefícios governamentais. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 79% defendem menor dependência do governo, contra 18% que afirmam que mais benefícios estatais resultam em melhor qualidade de vida. Segundo o Datafolha, a pergunta faz parte de um conjunto de seis indicadores utilizados para medir o posicionamento econômico dos brasileiros, ao lado de temas como impostos, atuação do Estado, leis trabalhistas e investimentos.
O cenário reflete um debate mais amplo sobre o papel do Estado na economia e na vida dos cidadãos, em um momento de polarização política e discussões sobre reformas estruturais. A pesquisa também dialoga com outros levantamentos, como a proposta do governo de elevação gradual do teto do MEI para R$ 140 mil até 2028, que busca ampliar a formalização de pequenos negócios, e com o cenário político para 2026, que aponta alta rejeição a nomes-chave para a Presidência.
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