Um novo estudo científico publicado recentemente desafia a visão tradicional de que os neandertais europeus estavam em declínio biológico antes de sua extinção, há aproximadamente 40 mil anos. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional de paleoantropólogos, indica que, ao contrário do que se pensava, esses hominídeos apresentavam boa saúde e capacidade reprodutiva normal até o fim de sua existência na Europa. Os dados foram obtidos a partir da análise de fósseis encontrados em sítios arqueológicos na França e na Espanha, incluindo restos de indivíduos de diferentes idades e sexos.
O estudo, liderado pelo Museu Nacional de História Natural da França e pela Universidade de Bordeaux, examinou marcadores de estresse fisiológico, como linhas de hipoplasia no esmalte dentário e sinais de doenças ósseas, em uma amostra de 28 esqueletos neandertais. Os resultados mostraram que a frequência de problemas de saúde era semelhante à observada em populações humanas modernas de caçadores-coletores, indicando que os neandertais não sofriam de um colapso populacional ou de saúde generalizado.
Reprodução e longevidade
Além da saúde, a pesquisa também analisou indicadores de reprodução, como a presença de marcas de parto em ossos pélvicos e a idade dos indivíduos no momento da morte. Os cientistas constataram que as fêmeas neandertais tinham filhos em intervalos regulares, semelhantes aos padrões humanos, e que a expectativa de vida era de cerca de 30 a 40 anos, compatível com a de outros hominídeos do período. Isso sugere que a reprodução não era um fator limitante para a sobrevivência da espécie.
O panorama político-científico em torno da extinção dos neandertais tem sido marcado por debates acalorados. Enquanto algumas teorias apontam para a competição com os humanos modernos, que chegaram à Europa há cerca de 45 mil anos, outras sugerem mudanças climáticas ou doenças como causas. Este novo estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, reforça a hipótese de que a extinção pode ter sido causada por fatores externos, como a chegada de Homo sapiens e a consequente competição por recursos, e não por um declínio interno da espécie.
Os pesquisadores destacam que os neandertais europeus, especialmente os da região da atual França, apresentavam uma dieta variada, com consumo de carne de grandes mamíferos, como mamutes e bisões, além de plantas e cogumelos. A análise de isótopos estáveis nos ossos mostrou que eles tinham acesso a alimentos de alta qualidade, o que contribuía para sua saúde. No entanto, a chegada dos humanos modernos pode ter alterado esse equilíbrio, levando a uma competição que os neandertais não conseguiram sustentar.
O estudo também encontrou evidências de que os neandertais praticavam cuidados com os doentes e idosos, com vários esqueletos mostrando sinais de cura de fraturas e outras lesões. Isso indica uma estrutura social complexa, que poderia ter ajudado na sobrevivência, mas que não foi suficiente para evitar a extinção. Os cientistas agora planejam expandir a pesquisa para outras regiões da Europa, como a Península Ibérica e os Bálcãs, para entender melhor as variações regionais na saúde e reprodução dos neandertais.
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