A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta segunda-feira (1º), uma operação para investigar suspeitas de desvios em um contrato firmado entre a Prefeitura e o ICB (Instituto Conhecer Brasil). Os mandados de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente, miram a Secretaria Municipal de Inovação, a residência de Karina Ferreira da Gama e as sedes de duas entidades comandadas por ela: o próprio ICB e a Go UP Entertainment, produtora do filme “Dark Horse“, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O contrato sob suspeita, no valor de R$ 12,5 milhões, foi celebrado em 2024 entre a Prefeitura e o ICB para a realização de projetos de inovação e tecnologia na capital paulista. A investigação, conduzida pela Delegacia de Crimes Fazendários, aponta indícios de superfaturamento e direcionamento na licitação, com possíveis irregularidades na execução dos serviços. A Go UP Entertainment, que também recebeu recursos públicos para a produção de “Dark Horse”, é alvo de apuração por suposto desvio de finalidade, já que parte dos valores teria sido usada para custear despesas pessoais de Karina Ferreira da Gama.
Panorama político e desdobramentos
A operação ocorre em um contexto de crescente tensão no cenário político nacional, com investigações sobre o uso de recursos públicos em projetos culturais e de inovação ligados a figuras do PL e de outros partidos. O filme “Dark Horse”, que estreou em 2025, gerou controvérsia por sua abordagem favorável a Bolsonaro, e agora a suspeita de desvios financeiros amplia o escrutínio sobre as relações entre o poder público e entidades privadas. A Prefeitura de São Paulo, sob gestão do PSDB, afirmou em nota que colabora com as investigações e que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos. Já o ICB e a Go UP Entertainment não se manifestaram até o fechamento desta edição.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, após representação do Ministério Público Estadual, que também acompanha o caso. A Polícia Civil informou que os materiais apreendidos, incluindo documentos e dispositivos eletrônicos, serão analisados nos próximos dias para aprofundar as investigações. A operação, batizada de “Dark Horse”, em referência ao filme, pode resultar em novas fases e na quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
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