A Petrobras anunciou uma redução de 14,5% no preço do querosene de aviação (QAV), com corte de R$ 0,81 por litro, que entra em vigor nesta terça-feira (1º). A medida ocorre após o alívio da crise no Oriente Médio, que vinha pressionando os custos do combustível, mas o QAV ainda acumula alta de 40,5% em 2026, segundo dados da própria estatal. O reajuste traz alívio temporário ao setor aéreo, que enfrenta custos elevados e redução de capacidade, como a anunciada pela Azul em 5%.
A redução de preço reflete a queda nas cotações internacionais do petróleo e a estabilização geopolítica na região do Oriente Médio, que havia elevado os preços nos meses anteriores. A Petrobras informou que o novo valor do QAV passa a ser de R$ 4,79 por litro, ante R$ 5,60 praticados anteriormente. Apesar do corte, o combustível ainda está 40,5% mais caro do que no início de 2026, o que pressiona as companhias aéreas e os consumidores.
Impacto no setor aéreo e medidas do governo
O setor aéreo brasileiro vinha sofrendo com a alta do QAV, que representa cerca de 30% dos custos operacionais das empresas. A Azul Linhas Aéreas anunciou recentemente uma redução de 5% em sua capacidade, afetando voos regionais e internacionais, como forma de mitigar os impactos financeiros. A redução de preço da Petrobras pode aliviar parcialmente essa pressão, mas especialistas apontam que a alta acumulada ainda exige medidas estruturais.
O governo federal, por sua vez, prorrogou por dois meses os descontos fiscais no querosene de aviação e no biodiesel, como parte de um pacote para conter a crise no setor. Além disso, o Brasil avança na regulamentação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), com o Decreto do SAF, que visa posicionar o país como líder na transição energética global. A medida é vista como estratégica para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar os impactos de crises geopolíticas.
Panorama político e econômico
A redução do QAV ocorre em um contexto de instabilidade global, com a guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio afetando os mercados de energia. O Brasil, como um dos maiores produtores de petróleo e biocombustíveis, busca equilibrar a necessidade de competitividade do setor aéreo com os compromissos ambientais. A Petrobras tem adotado uma política de preços alinhada ao mercado internacional, mas o governo tem pressionado por medidas que evitem repasses excessivos ao consumidor.
A crise do combustível também levou a Azul a reduzir sua capacidade em 5%, afetando voos regionais e internacionais. A empresa já havia sinalizado que a alta do QAV era insustentável, e a redução de preço da Petrobras pode ser um alívio, mas não resolve o problema estrutural. O setor aéreo aguarda a implementação do SAF como solução de longo prazo, enquanto o governo trabalha na regulamentação e em incentivos fiscais.
Para os consumidores, a redução do QAV pode refletir em passagens aéreas mais baratas no curto prazo, mas a alta acumulada de 40,5% em 2026 ainda pesa no bolso. A expectativa é que a estabilização geopolítica e a entrada em operação do SAF possam trazer alívio mais duradouro ao setor.
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