Polishop em crise: João Appolinário afirma que preço baixo não é suficiente para reerguer a empresa

O fundador da Polishop, João Appolinário, de 66 anos, declarou que a estratégia de preços baixos não é suficiente para garantir o sucesso de uma empresa, em meio aos esforços para reerguer a rede varejista. A afirmação foi feita em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 31 de maio de 2026, e reflete um momento de reestruturação no setor de varejo brasileiro, que enfrenta pressões inflacionárias, mudanças no comportamento do consumidor e a ascensão do comércio eletrônico.

Segundo Appolinário, a Polishop está passando por um processo de reavaliação de seu modelo de negócios, com foco em inovação e diferenciação, em vez de competir exclusivamente por preço. “Ser barato não adianta nada”, afirmou o empresário, que tem o hábito de, quando quer explicar algo, perguntar antes. A declaração ocorre em um contexto em que grandes redes varejistas brasileiras, como Magazine Luiza e Americanas, também buscam se adaptar a um mercado cada vez mais digital e competitivo.

A Polishop, conhecida por seus produtos de utilidade doméstica e eletrônicos, enfrenta desafios financeiros e operacionais, incluindo a necessidade de reduzir custos e aumentar a eficiência logística. Appolinário destacou que a empresa está investindo em tecnologia e em uma experiência de compra mais personalizada, visando atrair consumidores que buscam qualidade e inovação, e não apenas o menor preço.

O panorama político e econômico brasileiro também influencia as estratégias das empresas. Com a inflação ainda elevada e os juros altos, o poder de compra das famílias foi reduzido, o que pressiona o varejo a buscar alternativas para manter a rentabilidade. Além disso, a reforma tributária em discussão no Congresso Nacional pode impactar o setor, com possíveis alterações na carga de impostos sobre produtos e serviços.

Appolinário, que fundou a Polishop há mais de 20 anos, afirmou que a empresa está focada em reerguer-se com base em uma proposta de valor clara, que inclui garantia de qualidade e atendimento ao cliente. “Não adianta ser barato se o produto não funciona ou se o cliente não tem suporte”, explicou. A estratégia inclui a ampliação do canal digital e a reformulação de lojas físicas, que devem se tornar pontos de experiência e não apenas de venda.

O mercado de varejo brasileiro, que movimenta bilhões de reais por ano, tem visto uma consolidação de grandes grupos e a saída de empresas menores. A Polishop, que já foi uma das marcas mais conhecidas do país, busca agora se reposicionar em um cenário de concorrência acirrada, com players como Shopee e Mercado Livre dominando o comércio eletrônico. Appolinário acredita que a chave para o sucesso está em oferecer produtos exclusivos e uma experiência de compra diferenciada, em vez de competir por preço.

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