Por que JHC parece camuflar cada dia mais as contas públicas?

Não sabemos para onde o três letrinhas irá, se para o Palácio como governador, ou para o Senado. Mas hoje é possível discutir com fatos que votar nele não é uma boa ideia se você quer ver uma Alagoas ou um Brasil melhor.

Vamos começar falando do dois letrinhas, no caso o HC, do JHC. Estamos falando do Hospital da Cidade, que tem esse nome em uma espécie de metáfora ao seu criador. Se o MP-AL fosse um órgão mais competente, teria barrado esse tipo de coisa. Porém, de longe, esse é o menor dos problemas.

O HC foi comprado por 266 milhões de reais. O dinheiro usado para essa compra astronômica, que custa quase 100 milhões a mais que Hospital do coração e Hemoal de Alagoas juntos, foi feita com recursos oriundos da indenização da Braskem. Claro, a compra foi feita sem qualquer ensejo da população afetada pelo crime ambiental cometido pela mineradora.

Agora vem a parte interessante: o hospital não é gerido diretamente pela prefeitura. Antes, a gestão contratava a Osc ISAC, que tem um longo histórico de suspeitas de corrupção em secretarias de saúde em SP, além de uma operação em Salvador. Após cair bem mal, até pro padrão JHC de gestão, ele decidiu criar uma SSA (Serviço Social Autônomo), um órgão privado semelhante ao sistema S de serviços, como Sebrae, Senac, Senai etc.


Essa SSA chamada Maceió Saúde tem bem menos transparência sobre seus gastos e, a partir de repasses da Saúde municipal para ela, é possível contratar uma terceira, que hoje é a INTS. Nessa hora fica confuso porque o dinheiro realmente passa por diversas mãos até chegar na população.

Após a Saúde municipal repassar o valor ao Maceió Saúde, órgão esse que é privado mas todas as indicações são do prefeito, o dinheiro é repassado por eles a uma Osc, privada também, chamada INTS. E essa INTS tem histórico de corrupção também? Sim, e da pesada. Teve até gente presa. Apenas pesquisem Operação Dia Zero.

Não acaba nesse tipo de manobra que causa evidente falta de transparência e o envolvimento com entes privados ligados a corrupção: o que pega mesmo na questão do hospital é que ele é um natimorto. Ao que aparenta, não existe hoje maneiras de mantê-lo funcionando a médio prazo. Ao analisar as contas públicas, o município não cai em uma possível catástrofe contábil por recursos extraordinários, como o da Braskem, ou empréstimos, como o último aprovado no valor de até 1,2 bilhão de reais.

Fica o desafio: a gestão, antes de processar jornalistas, consegue provar ser possível manter o hospital da cidade funcionando após a sua gestão?

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