Os pré-candidatos ao Governo de Alagoas, JHC e Renan Filho, foram convidados para participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL) que discutirá o futuro das áreas afetadas pelo desastre causado pela mineração da Braskem em Maceió. A audiência está marcada para a próxima segunda-feira (1º) e foi anunciada pelo deputado estadual Antonio Albuquerque, presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALE-AL, que destacou a urgência de se definir um plano de recuperação para os bairros atingidos, como Pinheiro, Mutange e Bebedouro.
O desastre, que já dura mais de cinco anos, resultou no afundamento do solo, na desvalorização imobiliária e no deslocamento forçado de milhares de famílias. A Braskem, empresa petroquímica responsável pela extração de sal-gema na região, já foi multada em mais de R$ 1 bilhão por órgãos ambientais, mas as comunidades afetadas ainda aguardam indenizações justas e a reconstrução de suas vidas. A audiência pública surge em um momento de intensa pressão social e judicial, com ações civis públicas tramitando na Justiça Federal e Estadual.
Panorama político e pressão por respostas
O convite aos pré-candidatos ao governo estadual reflete a dimensão política do problema, que se tornou um dos principais temas da campanha eleitoral em Alagoas. JHC, atual prefeito de Maceió, e Renan Filho, ex-governador do estado, representam forças políticas distintas e terão de apresentar propostas concretas para lidar com as consequências do desastre. A ausência de um plano integrado de recuperação até agora gerou críticas de movimentos sociais e de moradores, que cobram transparência e participação popular nas decisões.
Além dos pré-candidatos, foram convidados representantes da Defesa Civil, do Ministério Público Federal (MPF), da Agência Nacional de Mineração (ANM) e da própria Braskem. A expectativa é que o debate aponte caminhos para a desocupação segura das áreas de risco, a realocação das famílias e a destinação dos imóveis desocupados, que hoje formam um vazio urbano no centro de Maceió.
Impactos econômicos e sociais
O desastre da Braskem já afetou diretamente mais de 60 mil pessoas, segundo dados da Defesa Civil municipal. A paralisação das atividades de mineração e o esvaziamento dos bairros provocaram uma queda significativa na arrecadação de impostos e no comércio local. Estima-se que o prejuízo econômico ultrapasse R$ 10 bilhões, considerando perdas imobiliárias, indenizações e custos de remediação ambiental. A audiência pública na ALE-AL é vista como uma oportunidade para que os pré-candidatos apresentem compromissos claros com a reparação integral dos danos e com a prevenção de tragédias semelhantes no futuro.
A reunião também ocorre em meio a investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre a responsabilidade criminal da Braskem e de seus executivos. Em 2023, a empresa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPF, mas as comunidades denunciam o descumprimento de prazos e a insuficiência das medidas adotadas. O debate na Assembleia Legislativa, portanto, não se limita ao futuro das áreas afetadas, mas também questiona o modelo de exploração mineral no estado e a capacidade do poder público de fiscalizar grandes empreendimentos.
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