O senador e pré-candidato ao governo do Ceará, Eduardo Girão (Novo-CE), voltou a agradecer publicamente o apoio de Michelle Bolsonaro (PL) ao seu nome para o Palácio da Abolição, em meio à crise instalada no Partido Liberal após a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama ataca duramente Flávio Bolsonaro (PL) e expõe ainda mais o racha interno da legenda. Em declaração que ecoa como um recado direto à cúpula do PL, Girão criticou o que chamou de “negociatas” na escolha de candidaturas, defendendo que o partido priorize alianças programáticas e não acordos de bastidores.
O episódio ganhou contornos nacionais após Michelle Bolsonaro gravar um vídeo, divulgado na última quarta-feira (24), no qual acusa Flávio Bolsonaro de ter “maltratado” aliados e de não querer seu apoio político. A declaração escancarou as fissuras no PL, que já enfrenta disputas internas sobre a sucessão presidencial e a montagem de palanques estaduais. Girão, que busca o governo cearense com o apoio explícito de Michelle, usou as redes sociais para reforçar a gratidão e, nas entrelinhas, criticar o modelo de decisão do partido.
“Agradeço imensamente à Michelle Bolsonaro pela confiança e pelo apoio ao nosso projeto para o Ceará. Não aceito negociatas que desvirtuem o que o povo cearense merece: um governo sério, transparente e comprometido com a verdade”, escreveu o senador em sua conta no X (antigo Twitter). A fala de Girão ocorre em um momento em que o PL cearense ainda não definiu oficialmente seu candidato ao governo, e o nome do senador é visto como uma alternativa ao grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem Flávio como um dos principais articuladores.
Panorama político e impacto no PL
O racha exposto por Michelle Bolsonaro não se limita ao Ceará. A ex-primeira-dama, que ganhou protagonismo político após as eleições de 2022, tem se posicionado como uma liderança independente dentro do bolsonarismo, muitas vezes em rota de colisão com o filho mais velho do ex-presidente. A briga pública entre eles fragiliza a unidade do PL às vésperas das convenções partidárias, previstas para julho, e abre espaço para que outras legendas, como o Novo e o Republicanos, tentem atrair dissidentes.
No Ceará, a situação é particularmente sensível. O estado é governado atualmente pelo PT, e a oposição busca unificar forças para tentar derrotar o candidato governista. Girão, que já foi aliado do bolsonarismo raiz, agora tenta se firmar como a opção “pura” do campo conservador, sem as amarras de acordos partidários que ele próprio critica. A adesão de Michelle a seu nome é vista como um trunfo, mas também como uma faca de dois gumes, já que pode afastar setores do PL que ainda seguem fieis a Flávio.
Enquanto isso, a cúpula nacional do PL tenta conter os danos. Em nota oficial, o partido afirmou que “respeita as opiniões de todos os seus filiados” e que “as decisões sobre candidaturas serão tomadas de forma coletiva e democrática”. Nos bastidores, porém, aliados de Flávio articulam para que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ou mesmo o deputado André Fernandes (PL-CE) sejam lançados ao governo cearense, o que esvaziaria a candidatura de Girão.
O desfecho dessa disputa interna deve influenciar não apenas a corrida no Ceará, mas também a estratégia nacional do bolsonarismo para 2026. Com Michelle e Flávio em lados opostos, a base do ex-presidente corre o risco de chegar fragmentada às urnas, enquanto Girão, ao criticar as “negociatas”, tenta se posicionar como o nome da renovação conservadora no Nordeste.
Fonte: ver noticia original

