Recorde de declarações do Imposto de Renda 2026 supera projeção da Receita Federal

A Receita Federal encerrou o prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 com 44.498.717 declarações recebidas, informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, neste sábado (30). Em postagem nas redes sociais, ele afirmou que o resultado “reflete o compromisso do contribuinte brasileiro e o amadurecimento do sistema tributário nacional”. O número supera as projeções iniciais do Fisco e consolida um novo recorde histórico de adesão ao IRPF.

O volume de declarações representa um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 43,1 milhões de entregas. A marca foi alcançada mesmo com as novas regras de isenção parcial para rendas de até R$ 5 mil, que só entrarão em vigor em 2027. A ampliação da faixa de isenção e a restituição automática, anunciadas pela Receita Federal em fevereiro, contribuíram para o crescimento, mas também geraram dúvidas entre os contribuintes sobre a obrigatoriedade de declarar em 2026.

Multa e regularização para quem perdeu o prazo

Quem era obrigado a declarar e não enviou o documento até a sexta-feira (29) agora está em dívida com o Fisco. Segundo a Receita Federal, o contribuinte fica sujeito ao pagamento de multa por atraso, calculada da seguinte forma: 1% ao mês ou fração de atraso sobre o valor do imposto devido, até o teto de 20%; multa mínima de R$ 165,74 para quem estava obrigado a declarar, mesmo sem imposto a pagar. A multa começa a contar no primeiro dia seguinte ao prazo limite e termina na data do envio da declaração ou, se não for entregue, na data do lançamento de ofício pela Receita.

A declaração em atraso poderá ser entregue a partir das 9h de segunda-feira (1º de junho), pelos mesmos canais oficiais. Ao transmitir, o contribuinte recebe automaticamente uma Notificação de Lançamento de Multa, acompanhada do boleto para pagamento via Documento de Arrecadação das Receitas Federais (Darf). O prazo para quitação é de até 20 dias; após esse período, incidem juros de mora com base na taxa Selic. Caso o contribuinte tenha restituição a receber, a multa poderá ser descontada desse valor, acrescido de juros.

Panorama político e econômico

O recorde de declarações ocorre em meio a um cenário de digitalização fiscal acelerada, que tem causado transtornos para milhares de contribuintes. Dados da Receita Federal indicam que mais de 10 milhões de brasileiros caíram na malha fina do IR por erros cometidos por empresas no envio de informações fiscais. A digitalização, embora tenha ampliado a eficiência do sistema, também expôs fragilidades na integração de dados entre empregadores e o Fisco.

O governo federal, por meio do ministro Dario Durigan, destacou que o resultado positivo reflete o amadurecimento do sistema tributário nacional. No entanto, especialistas apontam que a alta adesão também é reflexo do aumento da fiscalização e das penalidades para quem não declara. A Receita Federal ainda não divulgou o número exato de contribuintes que não entregaram a declaração, informando que o resultado é fruto de investigações pontuais realizadas ao longo do declínio de cinco anos.

Para quem perdeu o prazo, a recomendação do Fisco é regularizar a situação o quanto antes, evitando o acúmulo de multas e juros. A declaração em atraso pode ser enviada normalmente, mas o contribuinte deve estar atento ao pagamento da multa, que é inegociável. O não pagamento pode levar à inscrição em dívida ativa e à cobrança judicial.

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