A região de Jundiaí (SP) enfrenta uma média alarmante de dois veículos furtados por dia, segundo levantamento do g1 com base em dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Entre janeiro e maio deste ano, 330 carros, motos ou caminhões foram subtraídos em sete municípios, com destaque para o furto de motocicletas, que representam a maioria dos casos. O cenário expõe falhas no policiamento preventivo e a atuação de quadrilhas especializadas em desmanches ilegais, que lucram com a venda de peças no mercado paralelo.
Os números revelam uma distribuição desigual dos crimes entre as cidades. Jundiaí lidera com 151 ocorrências, seguida por Várzea Paulista (65), Itatiba (39), Campo Limpo Paulista (28), Itupeva (18), Jarinu (17) e Cabreúva (12). A concentração em Jundiaí, maior centro urbano da região, reflete a vulnerabilidade de áreas com maior circulação de veículos e menor efetivo policial. Em Várzea Paulista, câmeras de segurança flagraram um furto em apenas 10 segundos, na Avenida Fernão Dias Paes Leme, evidenciando a rapidez com que os criminosos agem.
Impacto social e econômico sobre as vítimas
O furto de veículos não é apenas uma estatística: ele afeta diretamente a vida de trabalhadores que dependem do transporte para sobreviver. O motoboy Marciano de Souza Elias, pai de duas filhas, teve sua moto furtada enquanto trabalhava em uma farmácia. “Fazia seis meses que eu estava com a moto. Trabalhava em uma farmácia, fui pegar as minhas entregas e, quando voltei, o cara roubou em dez segundos. Deu um pânico em mim. Fiquei uns dois dias bem ruim mesmo. É triste, estava pagando ainda e tive que pegar outra. Agora estou pagando as duas”, lamentou. O caso ilustra o ciclo de endividamento e estresse psicológico imposto pelo crime, que atinge especialmente a classe trabalhadora.
Ação policial e combate aos desmanches
Em Jundiaí, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu seis suspeitos nos últimos dois meses, sendo a mais recente nesta semana, de um homem investigado por furtar uma moto em maio. O delegado titular da DIG, Roberto Camargo Souza Jr., explicou que as quadrilhas agem rapidamente para revender as peças no mercado ilegal. “Quando não usavam para a prática de outros delitos, eles vendiam para o desmanche. A DIG está realizando diligências para identificar os receptadores dessas peças. Eles são os comerciantes que adquirem essas motos a um preço baixíssimo e vendem as peças como se fossem usadas e de origem lícita”, afirmou. A Polícia Militar, procurada pela TV TEM para comentar o policiamento preventivo, informou que não poderia conceder entrevista até a última atualização da reportagem, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a eficácia das ações de segurança na região.
O panorama geral aponta para a necessidade de integração entre forças policiais, políticas de prevenção e fiscalização de desmanches, além de investimentos em tecnologia, como câmeras de monitoramento e inteligência. Enquanto isso, a população segue refém de uma criminalidade que se alimenta da impunidade e da demanda por peças baratas no mercado informal.
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