A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ajuizou ações judiciais contra gestoras de fundos do Grupo Master, exigindo a reparação de um prejuízo estimado em R$ 640 milhões causado ao Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores públicos fluminenses. A medida, divulgada nesta quarta-feira (26), representa o maior esforço de ressarcimento já empreendido pelo estado contra o conglomerado financeiro, que está no centro de uma investigação sobre uma suposta rede de fraudes bilionárias que envolve empresas ligadas a figuras políticas de destaque nacional.
As ações da PGE-RJ miram especificamente as gestoras de fundos de investimento do Grupo Master, acusadas de operar esquemas que teriam desviado recursos do Rioprevidência por meio de aplicações fraudulentas em títulos podres e empresas de fachada. Segundo a Procuradoria, os R$ 640 milhões representam apenas a parcela do prejuízo já identificada, mas há indícios de que o rombo total pode ser ainda maior, alcançando cifras bilionárias quando somados os danos a outros fundos de pensão estaduais e municipais que também aplicaram recursos no grupo.
Panorama político e conexões com a investigação
O caso ganha contornos ainda mais complexos quando se observa o cenário político nacional. O Grupo Master, controlado pelo empresário Nelson Tanure, é investigado em múltiplas frentes por supostas fraudes que envolvem desde a manipulação de balanços financeiros até a criação de empresas de fachada para desviar recursos públicos. Uma das empresas ligadas ao grupo, a Master Filmes, produziu o longa-metragem “O Último Ato”, que exalta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e recebeu R$ 159 milhões de fundos de pensão investigados, conforme revelou reportagem do portal República do Povo. Essa conexão expõe como recursos previdenciários, que deveriam garantir a aposentadoria de servidores, foram canalizados para projetos de cunho político-partidário, ampliando o escândalo para além das fronteiras do Rio de Janeiro.
O Rioprevidência, que administra as aposentadorias e pensões de cerca de 300 mil servidores estaduais, é uma das maiores vítimas do esquema. A PGE-RJ estima que as perdas do fundo possam comprometer o pagamento de benefícios futuros, caso o ressarcimento não seja efetivado. A ação judicial busca não apenas a devolução dos valores, mas também a responsabilização criminal dos envolvidos, incluindo gestores do fundo que teriam avalizado as aplicações de alto risco sem a devida diligência.
O caso do Grupo Master se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre a gestão de fundos de pensão no Brasil, que já resultaram em prisões e condenações de ex-dirigentes de entidades como Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Funcef (Caixa Econômica Federal). A atuação da PGE-RJ, portanto, não é isolada: ela reflete um movimento nacional de procuradorias estaduais e federais para coibir desvios em sistemas previdenciários, que somam prejuízos de dezenas de bilhões de reais na última década.
A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro informou que continuará aprofundando as investigações e que novas ações podem ser propostas à medida que novos elementos surgirem. O Grupo Master, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações, mas fontes próximas ao conglomerado indicam que a defesa tentará contestar a legalidade das aplicações, argumentando que os investimentos foram feitos dentro das regras do mercado. No entanto, a magnitude do prejuízo e as evidências de fraudes documentais tornam a recuperação dos R$ 640 milhões um desafio jurídico e político de primeira grandeza para o estado do Rio de Janeiro.
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