Servidor público do Paraná é condenado à perda do cargo por fraudar sistema para aumentar salário próprio e de colegas

Um servidor público da Prefeitura de Cafeara, no norte do Paraná, foi condenado à perda do cargo após ser investigado por fraudar o sistema de pagamentos para aumentar o próprio salário e o de dois colegas, sem autorização. A sentença foi publicada na quinta-feira (9) pelo juiz André Luís Palhares Montenegro de Moraes, da Vara Criminal de Centenário do Sul, e ainda cabe recurso. O caso, apurado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), expõe uma grave violação dos princípios da administração pública e levanta questionamentos sobre controles internos em pequenos municípios.

O servidor Anderson Turozi, que atuava como chefe do departamento de Recursos Humanos da prefeitura, publicou uma portaria autorizando o aumento de gratificações de servidores no holerite, sem a assinatura do prefeito Elton Fábio Lazaretti (PRD). Segundo o MP-PR, Turozi se aproveitou do cargo para inserir dados falsos no sistema do município, alterando valores de gratificações dele e de dois outros colegas, sem consultá-los, usando decretos e portarias falsos criados por ele mesmo.

Detalhes da fraude e reação dos colegas

Conforme o promotor Renato dos Santos Santanna, os outros servidores só souberam do ocorrido depois que viram os valores no holerite e denunciaram o caso à Polícia Civil do Paraná (PC-PR). Posteriormente, a situação também chegou ao MP-PR. Na época, Turozi chegou a admitir a irregularidade e devolveu os valores, mas o MP considerou que, mesmo assim, ele deveria perder o cargo, pois o comportamento dele foi um caso grave de “quebra de confiança institucional”, de “desrespeito aos deveres funcionais” e aos “princípios que regem a Administração Pública”.

O MP argumentou que “permitir a permanência do denunciado no serviço público significaria admitir que o agente que utilizou o cargo para fraudar o próprio sistema administrativo continue exercendo função dentro da estrutura estatal, o que se mostra absolutamente incompatível com os princípios da moralidade e da probidade administrativa”. Na sentença, Turozi também foi condenado a dois anos e 10 meses de prisão, mas a sanção foi substituída por prestação de serviços comunitários.

Panorama político e impacto institucional

O caso ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a gestão de recursos públicos em municípios de pequeno porte, onde a concentração de funções em um único servidor pode facilitar desvios. A Prefeitura de Cafeara e o advogado de Turozi foram procurados pelo g1, mas não se manifestaram até a última atualização da reportagem. A condenação reforça a necessidade de mecanismos de controle mais rígidos, como auditorias independentes e segregação de funções, para prevenir fraudes similares em outras administrações municipais.

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