O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (19) para manter a íntegra da decisão da Corte que reconheceu a inconstitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas. O voto do relator foi proferido durante julgamento virtual dos recursos protocolados após a decisão, que, em dezembro do ano passado, invalidou o entendimento de que indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.
Até o momento, o placar da votação está 1 a 0 para manter a íntegra do julgamento. A sessão virtual está prevista para ser encerrada na sexta-feira (26). Embora o marco temporal tenha sido derrubado, entidades que atuam na proteção dos indígenas afirmam que foram mantidos retrocessos, como a possibilidade de indenização para invasores que construíram benfeitorias de “boa-fé”, a flexibilização da consulta prévia aos indígenas sobre temas que afetam sua existência, além de outras questões que podem inviabilizar as demarcações.
Os recursos foram protocolados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e os partidos políticos que atuam na causa indígena. O julgamento ocorre em meio a um cenário político marcado por tensões entre o governo federal, que defende a demarcação de terras, e setores ruralistas, que pressionam por restrições. A decisão do STF é vista como um marco para os direitos indígenas, mas a manutenção de pontos considerados retrocessos gera críticas de organizações indigenistas.
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