A Comissão Especial da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) alertou para o crescimento da violência política contra mulheres no estado, em meio à preparação para as eleições de 2026. O aumento dos casos de ataques, que vão desde agressões verbais e ameaças até violência física e psicológica, preocupa especialistas e lideranças, que veem na escalada um risco direto à participação feminina na política e à própria democracia.
De acordo com a OAB/AL, os números de denúncias registradas nos últimos meses indicam uma tendência de alta, com destaque para episódios de assédio, difamação e perseguição contra candidatas, vereadoras, deputadas e outras mulheres em posições de poder ou pré-candidatura. A comissão ressalta que a violência política de gênero não se limita a agressões físicas, mas inclui também ataques simbólicos e institucionais, como a deslegitimação de suas falas e a exclusão de espaços de decisão.
Panorama político e impacto social
O alerta da OAB/AL ocorre em um contexto de acirramento político no estado, com a proximidade das eleições de 2026 e a intensificação das campanhas. A violência política contra mulheres, segundo a comissão, tem efeitos devastadores: desestimula a candidatura de novas lideranças femininas, reduz a diversidade nos parlamentos e perpetua desigualdades de gênero. Em Alagoas, onde a participação feminina na política já é historicamente baixa, o aumento dos ataques pode aprofundar o déficit de representatividade.
Dados nacionais recentes mostram que o Brasil registrou um aumento de 30% nos casos de violência política contra mulheres entre 2022 e 2024, com Alagoas figurando entre os estados com maior número de denúncias proporcionais. A OAB/AL destaca que a violência não atinge apenas candidatas, mas também jornalistas, ativistas e lideranças comunitárias, ampliando o impacto sobre a sociedade civil.
Medidas e desafios
A Comissão Especial da Mulher da OAB/AL tem atuado na orientação jurídica de vítimas e na cobrança por políticas públicas de prevenção e punição. Entre as recomendações, estão a criação de canais de denúncia específicos, a capacitação de agentes públicos para lidar com o tema e a aplicação rigorosa da Lei 14.192/2021, que tipifica a violência política contra a mulher. No entanto, a comissão reconhece que a impunidade ainda é um obstáculo, com muitos casos sendo arquivados ou subnotificados.
O cenário em Alagoas reflete uma tendência nacional, mas ganha contornos específicos devido à forte presença de oligarquias políticas e à cultura de intimidação que historicamente marca o estado. A OAB/AL alerta que, sem uma ação coordenada entre Judiciário, Ministério Público e sociedade civil, a violência política contra mulheres pode se intensificar nas próximas eleições, comprometendo a lisura do processo democrático.
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