Banhistas superam surfistas e lideram estatísticas de ataques de tubarão em Pernambuco desde 1992

Desde 1992, os banhistas superam os surfistas como as principais vítimas de ataques de tubarão em Pernambuco, conforme levantamento divulgado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Os dados revelam que a maioria das vítimas é composta por moradores da Região Metropolitana do Recife, jovens entre 11 e 30 anos e frequentadores das praias de Boa Viagem e Piedade. O estudo, que abrange mais de três décadas, aponta um padrão preocupante: os banhistas representam 60% dos casos registrados, enquanto os surfistas somam 25%, e o restante inclui praticantes de outros esportes aquáticos e pessoas em atividades de lazer na orla.

O levantamento do Cemit detalha que, dos 62 ataques confirmados no período, 37 envolveram banhistas, 15 surfistas e 10 outras categorias, como mergulhadores e pescadores. As praias de Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, concentram 80% dos incidentes, com destaque para os meses de janeiro a março, quando o fluxo de banhistas aumenta devido ao verão. A faixa etária mais atingida é de 11 a 30 anos, que responde por 55% das vítimas, sendo a maioria do sexo masculino (70%).

Panorama político e social

O cenário acendeu alertas entre autoridades estaduais e municipais, que discutem medidas de prevenção e sinalização nas praias. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco informou que, em parceria com a Prefeitura do Recife e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, intensificou campanhas educativas e a instalação de placas de advertência. No entanto, especialistas apontam que a falta de fiscalização e a ocupação desordenada da orla contribuem para o risco. O Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Meio Ambiente, anunciou a ampliação do monitoramento com drones e boias inteligentes, mas a implementação enfrenta entraves orçamentários e burocráticos.

O debate político ganhou contornos eleitorais, com parlamentares da oposição cobrando mais transparência nos dados e ações efetivas. O deputado estadual João Paulo (PT) criticou a lentidão do governo na adoção de medidas preventivas, enquanto a bancada governista defendeu os investimentos já realizados. A Assembleia Legislativa de Pernambuco instalou uma comissão especial para acompanhar o caso, com audiências públicas previstas para o próximo mês. A sociedade civil, por meio de associações de moradores e surfistas, pressiona por uma política integrada de segurança nas praias, que inclua desde a limpeza dos canais de drenagem até a criação de áreas de exclusão para banhistas em períodos de maior risco.

O impacto econômico também é sentido, especialmente no turismo. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PE) registrou queda de 15% na ocupação hoteleira nas praias afetadas, com cancelamentos de reservas por turistas estrangeiros. Em contrapartida, o Comitê de Monitoramento reforça que a maioria das vítimas é residente local, o que indica que o problema é estrutural e não apenas sazonal. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conduz estudos sobre o comportamento dos tubarões na região, apontando que a presença de canais de drenagem e a poluição das águas atraem os animais para perto da costa.

Diante do cenário, a Defesa Civil orienta banhistas a evitar o banho de mar em horários de pouca visibilidade e próximo a desembocaduras de rios. A recomendação é seguida por muitos, mas a falta de estrutura de salvamento e a desinformação ainda são desafios. O Corpo de Bombeiros registrou aumento de 30% nos chamados para resgates em praias nos últimos dois anos, o que evidencia a urgência de uma ação coordenada entre os poderes público e privado para garantir a segurança dos frequentadores das praias pernambucanas.

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