Uma cabeleireira de 47 anos, Maria Elisângela, denunciou ter sido agredida por policiais militares durante a festa de São João em Maceió, no bairro Benedito Bentes, na noite de 29 de junho. Segundo ela, o episódio ocorreu enquanto comemorava o aniversário ao lado da família, quando uma guarnição formada por agentes do Bope e do Raio passou pelo local. A vítima afirma que um dos militares a atingiu com um golpe de cassetete no braço e na cintura e, ao reclamar da abordagem, recebeu outro golpe na cabeça, perdendo os sentidos. O filho da cabeleireira também relata ter sido agredido e ameaçado ao tentar filmar a ação dos policiais. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a Polícia Militar de Alagoas (PM) informaram que acompanham o caso, com a Polícia Civil instaurando um procedimento investigativo e a Corregedoria da PM abrindo um procedimento administrativo para apurar os fatos.
De acordo com o boletim de ocorrência e o termo de declarações prestado à Ouvidoria da Corregedoria da Polícia Militar, Maria Elisângela relatou que assistia ao show quando a guarnição passou. Ela disse que, após o primeiro golpe, afirmou que bastava pedir licença para passar, mas foi atingida novamente. “Eu recebi uma pancada, virei e falei que não precisava daquilo, que era só pedir licença. Enquanto eu falava, recebi outro golpe na cabeça e perdi o sentido”, contou em entrevista à TV Asa Branca Alagoas. Familiares, clientes do salão onde trabalha e o filho prestaram os primeiros socorros. A vítima, que é hipertensa e diabética, registrou boletim de ocorrência na Central de Flagrantes, realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e procurou atendimento médico por causa das dores na cabeça, permanecendo em observação e fazendo exames de imagem após suspeita de fratura na face.
Denúncias formalizadas e repercussão
Além do boletim de ocorrência, mãe e filho formalizaram denúncia na Ouvidoria da Corregedoria da Polícia Militar, onde relataram temer represálias em razão das ameaças sofridas. O caso também é acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB Alagoas, que defendeu a apuração dos fatos e orientou que possíveis vítimas de situações semelhantes formalizem denúncias. A situação expõe um panorama preocupante de violência policial em eventos públicos, especialmente em contextos de festas populares, onde a atuação das forças de segurança tem sido alvo de críticas recorrentes. Em Alagoas, casos como o da agressão no Benedito Bentes reforçam a necessidade de transparência e responsabilização, em meio a debates sobre o uso da força e a proteção de direitos civis.
A SSP e a PM divulgaram nota conjunta afirmando que acompanham o caso e que a Polícia Civil instaurou procedimento investigativo, enquanto a Corregedoria da PM abriu procedimento administrativo. A nota completa foi disponibilizada à imprensa. O episódio ocorre em um contexto em que denúncias de violência policial têm ganhado destaque, como a investigação da SSP sobre agressão contra mulher em show no Benedito Bentes, com a PM negando excesso, e a decisão da Justiça de mandar Maceió pagar aluguel social a vítimas de violência doméstica. A situação também ecoa casos recentes de violência juvenil, como a apreensão de um adolescente por lesão corporal dolosa em Alagoas, que expõe a fragilidade do sistema de proteção.
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