Um grupo de mulheres conservadoras que atuam na política brasileira avalia entrar com uma ação judicial nos Estados Unidos contra indivíduos que elas afirmam fazer parte de um ‘gabinete do ódio’ que dissemina ataques nas redes sociais, com alvos que incluem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão. As acusações miram brasileiros ligados ao bolsonarismo, com destaque para o influenciador Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira e seguidor de Olavo de Carvalho. O movimento ganhou força após o vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro na semana passada, no qual ela critica o enteado, senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citando ataques coordenados a partir do exterior.
De acordo com informações apuradas pelo blog, duas integrantes de partidos de direita confirmaram que um advogado nos EUA já foi contactado para avaliar a viabilidade da ação. O grupo reuniu dezenas de posts em diferentes redes sociais que, segundo elas, configuram calúnia, difamação e injúria — crimes que também podem ser processados em território americano. Os ataques, segundo as envolvidas, são oriundos de perfis operados por brasileiros ligados ao bolsonarismo, muitos deles baseados fora do país, e visam desqualificar mulheres que atuam na política ou se posicionam publicamente sobre temas sociais.
Crise no clã Bolsonaro e pressão sobre Flávio
O episódio escancara o racha no clã Bolsonaro, que já vinha sendo alimentado por disputas internas e divergências políticas. No vídeo divulgado na semana passada, Michelle Bolsonaro afirmou que um ‘grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio’. A declaração pública da ex-primeira-dama, que busca construir uma base própria de mulheres conservadoras, aprofundou a crise familiar e expôs fragilidades no sistema político da extrema direita. A reclamação já chegou ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e ao próprio Flávio Bolsonaro, que tenta conter a crise.
As cobranças, no entanto, não se limitam ao universo feminino. Nesta quarta-feira (1º), o deputado Marcos Feliciano fez uma postagem na rede social ‘X’ pedindo que Flávio Bolsonaro ‘coloque os galos de rinha dentro da caixa’, sob pena de perder o apoio dos evangélicos. A pressão sobre o senador e pré-candidato à Presidência aumenta em meio a escândalos financeiros e disputas por palanques estaduais, como o racha com a ex-primeira-dama e as denúncias de ataques coordenados.
Panorama político e impacto nas eleições de 2026
A ameaça de ação judicial nos EUA ocorre em um momento de intensa fragmentação na direita brasileira. Enquanto Michelle Bolsonaro busca consolidar seu capital político entre mulheres conservadoras e evangélicas, Flávio Bolsonaro enfrenta resistências internas no PL e críticas de aliados históricos. O caso também levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas de redes sociais, que, segundo o grupo, terão de proibir o acesso a menores de 16 anos para evitar a disseminação de discursos de ódio. O grupo avalia incluir na ação ataques a mulheres de esquerda também, vindas dos mesmos perfis fora do Brasil, ampliando o escopo da denúncia.
O avanço de projetos como o que criminaliza a misoginia na Câmara dos Deputados, equiparando o crime ao racismo, ganha relevância neste contexto. A ação nos EUA, se concretizada, pode estabelecer um precedente internacional para o combate a ataques virtuais contra mulheres na política, ao mesmo tempo em que expõe as fraturas no bolsonarismo e a disputa pelo controle do eleitorado conservador. A crise no clã Bolsonaro, com Michelle desafiando abertamente a autoridade do ex-presidente e de Flávio, sinaliza um realinhamento de forças na direita brasileira, com impactos diretos nas eleições de 2026.
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