O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou na manhã desta terça-feira (7) a Operação Ar Frio para investigar um esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de São Paulo. A apuração prévia aponta que um ex-servidor comissionado da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e outro servidor da Secretaria Municipal das Subprefeituras teriam direcionado processos licitatórios para favorecer empresas em troca de vantagens indevidas. Ambos foram exonerados de seus cargos no início de 2025, mas as investigações indicam que os valores recebidos são incompatíveis com seus rendimentos, com aquisição de imóveis, veículos e outros bens em nome de terceiros, o que pode configurar ocultação de patrimônio de origem ilícita.
As buscas estão sendo realizadas nos endereços dos investigados, que podem responder por corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. A operação ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre contratos públicos na capital paulista, que já foi alvo de outras investigações recentes, como a que apurou desvios em contratos de iluminação pública e em obras de infraestrutura. A Prefeitura de São Paulo não é investigada diretamente nesta operação, mas o caso reforça a necessidade de maior transparência nos processos licitatórios municipais.
O esquema teria ocorrido entre 2022 e 2025, período em que os ex-servidores supostamente usaram suas posições para beneficiar empresas específicas, recebendo propinas que foram ocultadas por meio de compras em nome de laranjas. A investigação do MPSP também analisa possíveis conexões com outros casos de corrupção em prefeituras do país, como os revelados em operações recentes no Piauí, Mato Grosso e Pernambuco. No Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), por exemplo, um prefeito, uma ex-secretária e um empresário foram condenados a devolver R$ 1,68 milhão por fraude em licitação de iluminação pública. Já em Campo Verde (MT), a Operação Gomorra resultou em busca e apreensão na casa do prefeito e no afastamento de secretários e servidores.
O caso de São Paulo também ecoa a Operação da Polícia Civil no Recife, que investiga servidores por suspeita de fraude em contratos do São João, e a prisão do ex-prefeito de Goiatins (TO), condenado a sete anos por corrupção em um esquema que desviou R$ 10 milhões. Esses episódios evidenciam um padrão de fragilidade nos controles internos das administrações municipais, que muitas vezes permitem que servidores comissionados atuem sem supervisão adequada em processos licitatórios. A Operação Ar Frio, portanto, não apenas expõe um caso específico, mas também levanta questões sobre a necessidade de reformas estruturais para prevenir fraudes em todo o país.
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