A 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7), identificou movimentações financeiras suspeitas que, segundo as investigações, abasteciam um esquema de lavagem de dinheiro a partir de postos de combustíveis. A nova base do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Rio de Janeiro, inaugurada na semana passada, rastreou a forma de atuação do grupo e as transações financeiras, fornecendo informações que embasaram os mandados cumpridos nesta manhã. Nesta fase, o principal alvo é uma rede de postos no Grande Rio que movimentou R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, com anuência de políticos.
O ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram alvos de mandados de busca e apreensão. A suspeita é de que os postos serviam como uma “base de compensação”: recebiam valores legais e ilegais, faziam o que se chama de “mistura de dinheiro”, que dificulta o rastreamento dos órgãos de investigação. O dinheiro, então, era repassado para empresas de fachada.
Foram identificados pagamentos a Marcus Amim e a uma consultoria dele, que estão sob investigação. A lista de alvos também inclui vários operadores do esquema. Outro alvo é o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que agia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No ano seguinte, ele foi condenado e preso sob acusação de homicídio e associação criminosa.
Agentes saíram para cumprir, no total, 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. A operação, que já está em sua sexta fase, revela a capilaridade do esquema e a complexidade das relações entre políticos, ex-autoridades policiais e milicianos no estado do Rio de Janeiro.
O panorama político geral aponta para a continuidade de investigações que miram a lavagem de dinheiro em setores estratégicos, como o de combustíveis, que historicamente servem de canal para ocultação de recursos ilícitos. A atuação do Coaf, com sua nova base no Rio, reforça o esforço de rastreamento financeiro em um estado marcado por disputas eleitorais e pela atuação de grupos paramilitares. A operação ocorre em meio às pré-candidaturas para as eleições de 2026, o que pode impactar diretamente o cenário político local, especialmente com a presença de Márcio Canella como pré-candidato ao Senado.
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