A América Latina tradicionalmente sustenta seu crescimento econômico pela expansão da força de trabalho, e não pelo aumento da produtividade. No entanto, esse cenário pode ser transformado com a adoção da inteligência artificial, de acordo com um estudo inédito divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. A pesquisa projeta que o uso da IA pode elevar a produtividade da região em até 3,2% ao ano, representando uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento latino-americano.
O levantamento, publicado originalmente pela Folha de S.Paulo em 10 de junho de 2026, aponta que a América Latina tem um histórico de crescimento baseado na incorporação de novos trabalhadores ao mercado, sem ganhos significativos de eficiência. Esse padrão, segundo o Fórum Econômico Mundial, limita o potencial de desenvolvimento sustentável e a competitividade global da região. A inteligência artificial, por sua vez, oferece a oportunidade de romper essa lógica, automatizando processos, otimizando cadeias produtivas e gerando inovações em setores estratégicos.
Impactos econômicos e sociais
O estudo detalha que o impacto da IA na produtividade não será homogêneo. Países com maior infraestrutura digital e políticas de inovação mais avançadas, como Brasil, México e Chile, tendem a se beneficiar mais rapidamente. Já economias menores ou com menor acesso à tecnologia podem enfrentar desafios para absorver os ganhos. O Fórum Econômico Mundial alerta que, sem investimentos em educação digital e capacitação da força de trabalho, a adoção da IA pode aprofundar desigualdades regionais.
Além do aspecto econômico, a pesquisa destaca que a inteligência artificial pode ter impactos sociais relevantes, como a criação de novos empregos em áreas de tecnologia e a necessidade de requalificação profissional em setores tradicionais. O estudo recomenda que governos e empresas da América Latina invistam em políticas públicas que promovam a inclusão digital e a formação de talentos, garantindo que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma equitativa.
Panorama político e desafios regionais
A divulgação do estudo ocorre em um momento de intenso debate sobre o futuro do trabalho e da inovação na América Latina. Diversos governos da região têm anunciado planos de digitalização e incentivos à pesquisa em inteligência artificial, mas a implementação enfrenta obstáculos como a burocracia, a falta de investimento privado e a instabilidade política em alguns países. O Fórum Econômico Mundial ressalta que a cooperação regional e a criação de marcos regulatórios claros são fundamentais para que a IA se torne um motor de desenvolvimento sustentável, em vez de um fator de exclusão.
O estudo conclui que, se bem gerida, a inteligência artificial pode representar uma virada histórica para a América Latina, permitindo que a região supere décadas de baixo crescimento da produtividade e se posicione de forma mais competitiva na economia global. A projeção de 3,2% ao ano, no entanto, depende de ações coordenadas entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil, além de um compromisso com a inovação inclusiva.
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