O julgamento do caso Henry, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, entrou no oitavo dia seguido nesta segunda-feira (1º), tornando-se a sessão mais longa da história do Tribunal do Júri no estado do Rio de Janeiro, superando o recorde anterior do caso da ex-deputada federal cassada Flordelis. O caso, que chocou o país, envolve a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. Os réus são Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, ex-vereador do Rio de Janeiro, e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe da vítima. A acusação do Ministério Público aponta que Henry morreu após agressões cometidas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido diante dos maus-tratos.
O julgamento, que já se estende por mais de uma semana, mobiliza a atenção nacional e expõe as fragilidades do sistema de proteção à infância. Em novembro de 2022, Flordelis foi condenada a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato do ex-marido, o pastor Anderson do Carmo, em um caso que também teve grande repercussão. Agora, o caso Henry Borel estabelece um novo marco de duração, refletindo a complexidade das investigações e a necessidade de justiça para a criança.
Depoimento do Perito do IML
Até o começo da tarde desta segunda-feira, prestava depoimento o perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairo. Foi Tauil quem assinou o laudo cadavérico do menino no Instituto Médico Legal (IML). O perito é o 21º a ser ouvido pelos jurados. Ele reafirmou que a morte foi causada por “hemorragia interna resultada de lesão hepática por ação contundente”. Além do laudo inicial, ele participou de seis complementações e chegou a ir ao apartamento onde ocorreu o crime, reforçando a tese de que as lesões não foram acidentais.
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos com os depoimentos anteriores de legistas e médicos. Uma legista afirmou que Henry tinha 14 lesões e rebateu a tese de acidente doméstico, enquanto uma médica declarou que a criança chegou ao hospital tecnicamente morta. Esses testemunhos têm sido cruciais para a acusação, que busca provar a responsabilidade dos réus. O julgamento, que já é o mais longo do estado, segue com a expectativa de que novos depoimentos e debates possam definir o futuro de Jairinho e Monique, enquanto a sociedade cobra respostas sobre a morte de uma criança indefesa.
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