A Assembleia Geral da ONU aprovou, na última quarta-feira (25), em Nova York, uma resolução histórica que classifica o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o maior crime contra a humanidade já registrado no mundo.
O documento estabelece que as nações envolvidas devem oferecer desculpas formais e recomenda a criação de fundos financeiros voltados para a reparação histórica dos danos causados. A medida visa combater reflexos atuais do período, como o racismo estrutural e desigualdades socioeconômicas.
A proposta, liderada pelo presidente de Gana, John Mahama, obteve o apoio expressivo de 123 países, incluindo o Brasil. O governo brasileiro, que recebeu mais de 4 milhões de escravizados, endossou a necessidade de justiça e cura para as populações de ascendência africana.
Resistência de potências e abstenções
Apesar do consenso majoritário, a resolução sofreu oposição direta de três nações: Estados Unidos, Israel e Argentina foram os únicos a votar contra. O bloco contrário argumentou que não reconhece o direito legal a indenizações por injustiças históricas ocorridas no passado.
O cenário diplomático também foi marcado por 52 abstenções estratégicas, vindas principalmente de ex-metrópoles coloniais como Portugal, França e Reino Unido. Estes países europeus evitaram se comprometer com as cláusulas de restituição financeira e devolução de bens culturais e manuscritos.
Por outro lado, as potências do bloco Brics votaram em bloco a favor da medida reparatória. Nações como China, Rússia e Índia acompanharam a África do Sul na validação do texto, que também exige o retorno de obras de arte aos países de origem.
O próximo passo envolve a pressão internacional para que os mecanismos de restituição patrimonial sejam efetivados pelas antigas potências colonizadoras. Historicamente, o debate sobre reparações ganha fôlego inédito após décadas de negligência diplomática no cenário global.
