Senado Endossa Teto de R$ 7,9 Bilhões para Seguro-Defeso em 2026, com Novas Regras Antifraude e Retorno à Câmara

O Senado Federal aprovou uma Medida Provisória que fixa o teto do seguro-defeso em R$ 7,9 bilhões para 2026 e implementa rigorosas medidas antifraude, incluindo exigência de documentos fiscais e uso de dados de CNH e TSE. O texto retorna à Câmara dos Deputados para votação final, com prazo apertado para sua validação.

O **Senado Federal** aprovou nesta quarta-feira (8) uma proposta crucial que redefine as regras do **seguro-defeso**, benefício essencial pago a milhares de pescadores artesanais durante o período de reprodução dos peixes, quando a pesca é proibida. A medida estabelece um teto orçamentário de **R$ 7,9 bilhões** para o custo do benefício em 2026, um valor que reflete o impacto fiscal da política pública e a necessidade de gestão rigorosa. Contudo, devido às alterações significativas introduzidas pelos senadores, o texto agora retorna à **Câmara dos Deputados** para nova análise, sob a pressão de um prazo apertado: a **Medida Provisória (MP)**, já em vigor, precisa ser validada pelo **Congresso Nacional** até a próxima terça-feira (14) para não perder sua validade, conforme apurado pelo portal República do Povo a partir de informações da imprensa nacional.

A expectativa é que a **Câmara dos Deputados** vote a matéria já nesta quinta-feira (9), em um movimento que sublinha a urgência legislativa e a complexidade das relações entre o **Poder Executivo** e o **Legislativo**. Este cenário se insere em um contexto político mais amplo, onde a aprovação de matérias de impacto orçamentário e social exige constante articulação. Recentemente, a relação entre o **Executivo** e o **Congresso** tem sido marcada por desafios, como a questão do pagamento de emendas obrigatórias, onde o Executivo pagou menos de 1% das emendas, ameaçando a harmonia entre os poderes. A aprovação célere de medidas como esta MP é vital para a estabilidade governamental e a continuidade de políticas públicas.

Combate à Fraude e Transparência nos Critérios

Um dos pilares da proposta aprovada é a intensificação dos mecanismos de combate a fraudes no recebimento do **seguro-defeso**. Desde o ano passado, o acesso ao benefício já exige a confirmação biométrica e a inscrição no **Cadastro Único (CadÚnico)**, ferramentas que visam garantir que o auxílio chegue a quem realmente necessita. A nova proposta avança ainda mais, permitindo que o governo utilize registros da **Carteira Nacional de Habilitação (CNH)** e do **Tribunal Superior Eleitoral (TSE)** para confirmar os dados dos solicitantes, ampliando a base de verificação e dificultando tentativas de irregularidade. Essas medidas refletem uma crescente preocupação com a fiscalização e a boa aplicação dos recursos públicos, um tema recorrente na agenda legislativa, como visto na aprovação de outras matérias de impacto social e orçamentário, a exemplo da PEC que garante piso orçamentário para Assistência Social, com impacto de R$ 36 bilhões.

Alterações Cruciais Promovidas pelo Senado

As modificações introduzidas pelos senadores são substanciais e buscam refinar a elegibilidade e a fiscalização do benefício. Entre as principais alterações, destaca-se a exigência de que o trabalhador apresente documentos fiscais que comprovem a venda do pescado, acompanhados da contribuição previdenciária de, no mínimo, seis meses anteriores ao período do defeso. Essa medida visa assegurar que o benefício seja concedido a pescadores que comprovem efetiva atividade profissional.

Outra mudança relevante foi a alteração de um trecho para deixar explícito que o limite de renda para que o pescador possa solicitar o benefício será o estabelecido pelo **CadÚnico**, ou seja, meio salário mínimo por pessoa da família. Essa padronização reforça a integração das políticas sociais e a focalização dos recursos nos segmentos mais vulneráveis.

O **Senado** também retirou a possibilidade de pagamento do **seguro-defeso** relativo a anos anteriores. A **MP** agora prevê que o valor a ser pago será referente apenas a 2026, com a promessa de que outras medidas serão apresentadas pelo governo para tratar de eventuais pagamentos retroativos. Apesar disso, para a manutenção do benefício, os pescadores deverão apresentar, até o final deste ano, o **Relatório Anual de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap)** desde 2021, garantindo um histórico de comprovação da atividade.

Adicionalmente, os senadores suprimiram um trecho que conferia às entidades credenciadas de pesca artesanal a prerrogativa de validar o acesso do trabalhador aos sistemas dos **Ministérios da Pesca** e do **Trabalho** para o período de defeso entre novembro de 2025 e 31 de outubro de 2026. O objetivo original desse acesso era habilitar o pescador para o recebimento do benefício, mas a retirada indica uma centralização do processo de validação nas mãos do governo, buscando maior controle e uniformidade.

A aprovação desta **MP** no **Senado** e seu retorno à **Câmara** demonstram a dinâmica legislativa complexa do **Brasil**, onde propostas de grande impacto social e econômico são debatidas e ajustadas em diferentes esferas. A necessidade de conciliar o apoio a categorias profissionais vulneráveis com a responsabilidade fiscal e o combate à fraude permanece um desafio central para o **Congresso Nacional**, que também tem chancelado outras medidas importantes, como os reajustes salariais históricos para forças de segurança do DF e ex-territórios, evidenciando a amplitude de sua atuação.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *