Lula e Jaques Wagner juntos na Bahia em meio a operação da PF que expõe esquema bilionário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quarta-feira (1º) do anúncio da inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinha, na Bahia, ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou recentemente a liderança do governo no Senado após ser incluído na lista de alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A presença conjunta ocorre em meio a um cenário político conturbado, com divisões no Congresso sobre os desdobramentos da operação da Polícia Federal e os impactos na articulação do governo.

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, na semana passada, foi motivada pela pressão gerada pela operação, que expôs um esquema de fraudes financeiras de proporções bilionárias. Ele foi substituído pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), mas mantém-se como um dos principais aliados de Lula e interlocutor influente dentro do Senado. Durante o evento, Wagner agradeceu os investimentos do governo federal no estado: “Se tiver como sintetizar numa palavra o sentimento dos baianos pelo senhor, é gratidão. Eu me orgulho de estar ao seu lado, dentro deste hospital”, afirmou o senador.

Lula, por sua vez, exaltou o companheiro de longa data: “Tem uma coisa na vida que a gente não escolhe. A gente não escolhe pai, a gente não escolhe mãe, não escolhe irmãos, mas a gente escolhe companheiros e, aqui na Bahia, tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com Jaques Wagner, Rui Costa [ministro da Casa Civil], Jerônimo Rodrigues [governador da Bahia] e com vários deputados que estão aqui”, declarou o presidente.

Panorama político e reações no Congresso

A operação Compliance Zero, em sua 9ª fase, atingiu diretamente o senador Jaques Wagner, gerando reações divididas no Congresso. Enquanto aliados do governo veem a ação como parte de uma investigação legítima, a oposição aproveita o episódio para questionar a articulação política do Executivo e a transparência nas relações com o setor financeiro. A presença de Lula ao lado de Wagner, dias após a saída da liderança, é interpretada como um gesto de apoio político e uma tentativa de blindar o aliado, em meio a um cenário de tensão entre os Poderes.

O esquema bilionário investigado pela PF envolve o Banco Master e suspeitas de fraudes financeiras que podem ter desviado recursos públicos. A operação já teve fases anteriores que miraram outros políticos e empresários, e a inclusão de Wagner na lista de alvos elevou o tom do debate político, com parlamentares de diferentes espectros cobrando esclarecimentos. A divisão no Congresso reflete a complexidade do caso, que mistura investigações criminais com disputas políticas.

Inauguração do hospital e investimentos na Bahia

A unidade hospitalar no litoral norte baiano, em Alagoinha, faz parte de um conjunto de ações do governo federal em todo o Nordeste voltadas para o fortalecimento da rede de atendimento regional. O hospital deve reforçar o atendimento na região e reduzir a sobrecarga nos serviços de saúde locais. Lula esteve acompanhado de autoridades locais e parlamentares da base aliada, em uma cerimônia que marcou o anúncio da entrega da unidade.

Jaques Wagner, que governou a Bahia por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014, mantém forte influência política na região e é considerado um dos principais nomes do PT no estado. Sua presença ao lado de Lula, mesmo após a saída da liderança, sinaliza a continuidade da aliança política, enquanto o governo busca manter a governabilidade em meio às investigações.

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