A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta terça-feira (9), a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O adiamento ocorreu em razão do início da Ordem do Dia no plenário da Casa, conforme informou a Agência Brasil. O presidente do colegiado, Leur Lomanto Júnior (União-BA), agendou o reinício da discussão para a manhã desta quarta-feira (10). A votação do texto já havia sido adiada anteriormente por um pedido de vista.
O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), elaborou parecer favorável à mudança da maioridade penal, de 18 anos para 16 anos. No entanto, o parlamentar retirou a emenda que previa que jovens com 16 anos poderiam se casar, celebrar contratos, tirar carteira de habilitação e votar obrigatoriamente. A retirada da emenda ocorreu após críticas de que a medida ampliaria direitos civis de forma desproporcional, sem relação direta com a questão penal.
Divergências na comissão
O tema não é consenso entre os deputados integrantes da CCJ, comissão responsável por analisar a admissibilidade da proposta. A deputada Érica Kokay (PT-DF), uma das lideranças críticas à proposta, argumenta que a iniciativa fere a Constituição. Segundo ela, a definição da maioridade é uma cláusula pétrea — dispositivos que não podem ser mudados ou abolidos por PEC — e que qualquer alteração só poderia ocorrer por meio de uma nova Constituinte. “Estamos aqui ao arrepio da própria Constituição discutindo uma matéria que fere de forma absolutamente nítida direitos e garantias individuais garantidos pela nossa Constituição”, alertou, acrescentando que os crimes graves praticados por jovens representam menos de 4% dos crimes violentos no país.
A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também criticou o andamento da proposta. Ela destacou que o debate ocorre em um ano eleitoral e que setores da extrema-direita utilizam o tema para explorar o sentimento de insegurança da população. “Estamos em um ano eleitoral e o que a extrema-direita faz? Ela pega um sentimento legítimo de medo e transforma em pauta punitivista, sem enfrentar as causas reais da violência”, afirmou a parlamentar.
Panorama político e impacto social
A PEC 32/15 tramita na Câmara desde 2015 e já passou por diversas comissões. A proposta prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos, homicídio doloso, lesão corporal grave, roubo qualificado e tráfico de drogas. Se aprovada na CCJ, a PEC seguirá para uma comissão especial e, posteriormente, para o plenário da Câmara, onde precisará de votos favoráveis de pelo menos 308 deputados em dois turnos.
O adiamento da votação reflete a complexidade do tema e a polarização política no Congresso. Enquanto defensores da redução argumentam que a medida é necessária para coibir a criminalidade entre jovens, críticos apontam que a proposta fere princípios constitucionais e não ataca as raízes da violência, como a desigualdade social e a falta de políticas públicas para a juventude. A discussão também ocorre em meio a um ano eleitoral, o que pode influenciar o posicionamento de parlamentares.
Para acompanhar o desenrolar desse debate, confira as notícias relacionadas: Câmara suspende análise de PEC que reduz maioridade penal para 16 anos; debate retorna nesta quarta, Comissão da Câmara decide sobre redução da maioridade penal para 16 anos após adiamentos, CCJ da Câmara retoma debate sobre PEC que reduz maioridade penal para 16 anos e CCJ da Câmara adia votação de propostas que reduzem maioridade penal de 18 para 16 anos após pedido de vista.
Fonte: ver noticia original
